Minhas poucas palavras sobre “Guerra Civil”

Eu não entendo nada de histórias em quadrinhos. Nunca fui de ler a Marvel ou a DC Comics. Portanto, não sei o que acontece nos quadrinhos do Guerra Civil, nem nunca soube o que acontecia nos outros quadrinhos que foram adaptados para o cinema.

Mas eu gosto de filmes. E eu gosto dos filmes da Marvel. Assistir a “Capitão América 3 – Guerra Civil” foi demais! Diversão pura! Efeitos especiais muito bem trabalhados, principalmente porque não ficamos prestando atenção neles. A trama ficou tão envolvente a meu ver, que tudo parece muito factível e lógico. Sim, aquele cara voa, aquele outro salta de dezenas de metros de altura e o outro é indestrutível. Sim, estamos no terreno do fantástico, do lúdico, do “também-quero-ser”.

Gosto da confluência feita entre os vários heróis da Marvel. Claro que há alguns que ainda não estão presentes, mas aqueles que participam dão conta do recado. Lembro quando vi o terceiro filme do Homem-Aranha, dirigido pelo Sam Raimi, e disse que um dos motivos dele não ser bom é porque havia muitos personagens “fantásticos” (além do próprio Aranha, tinha o Venon, o Duende Verde e o Homem de Areia). Para mim, esta escolha havia sido errada. Mas vendo hoje “Guerra Civil”, percebo que Raimi que não foi eficiente. Aqui temos mais de dez heróis juntos, todos com boas participações, muito bem trabalhadas, estimulantes e que contribuem para o progresso da trama.

Claro que os personagens centrais são o Capitão América e o Homem de Ferro. Mas os outros não deixam a desejar. Não vou adiantar nenhum que aparece, pois há a graça da surpresa para sua aparição. São os dois que comandam a trama, em especial o Capitão. Eles cometem as ações que causam o conflito central, um agindo e o outro reagindo. Estratégia comum neste tipo de filme, aqui bem evidente, mas não menos eficiente.

Se os amantes da Marvel compararão com os quadrinhos, encontrando defeitos ou imprecisões, não sei. Eu apenas posso comparar com o recente “Batman vs. Superman”, e digo que nem vale a pena falar sobre este filme. Para mim, em “Guerra Civil” está tudo ótimo. Gostei até mesmo do final, pois fica aquele desejo de quero mais. E se sou Team Captain ou Team Stark? Sei lá!

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“Ave, César!” lava a alma dos amantes dos Coen e do cinema

Eu sou daqueles que viram todos os filmes dos irmãos Coen. Desde que comecei a me envolver com cinema, são dois cineastas por quem nutri uma relação de amor, muito amor, e ódio, pouco ódio. Faz uns dez anos que não fico plenamente satisfeito com um filme deles. Acredito que o último que realmente me cativou foi “O homem que não estava lá”, de 2001. Neste meio tempo, eles ganharam até mesmo o Oscar de melhor filme, com “Onde os fracos não têm vez”. É um filme diferente, de certa forma interessante, por sair das convenções de Hollywood, mas não me satisfez. “Bravura indômita” chegou bem perto, mas ainda não era o mesmo que os filmes que a dupla fez nos anos 90.

“Ave, César!”, novo filme de Joel e Ethan Coen, resgata a qualidade cômica de obras anteriores como “Arizona nunca mais”, “Barton Fink – delírios de Hollywood”, “Na roda da fortuna” e “O grande Lebowsky”. Chamo atenção especial para “Barton Fink”, pois também se trata de um filme que coloca um olhar satírico para Hollywood e sua forma grotesca de se relacionar com o mundo.

Mesmo em filmes que não são comédias, esses cineastas sempre flertam com o humor. Às vezes este humor é aquele que designamos como humor negro (caso que ocorre em “Fargo”), mas às vezes é escrachado.

“Ave, César!” está neste segundo grupo. Estamos nos anos 1950 e podemos acompanhar o dia a dia de Eddie Mannix (Josh Brolin), produtor da Capitol Pictures (também a produtora onde ocorre a trama de “Barton Fink”). Com isso, temos a possibilidade de experimentar algumas das situações grotescas que dá-se a entender serem comuns em Hollywood. Claro que com os exageros típicos do gênero e dos cineastas, mas mesmo assim a crítica está bem clara.

Baird Whitlock (George Clooney), um consagrado ator canastrão, é sequestrado por comunistas que pedem resgate ao estúdio; Hobie Doyle (Alden Ehrenreich) é um ator de westerns que é escalado para um drama e não consegue corresponder (o que enlouquece o diretor do filme, interpretado pelo grande Ralph Fiennes) e DeeAnna Moran (Scarlett Johansson) é uma atriz coquete de musicais a la Busby Berkeley que casa e descasa a todo momento e agora encontra-se grávida, sem saber quem é o pai seu filho.

O filme se divide nestes três personagens, conectados pela figura de Mannix, que também tem seus próprios conflitos, visto que todas as madrugadas acaba procurando o padre de sua paróquia para se confessar.

Há cenas hilariantes no filme. Destaco quando Mannix consulta os representantes de quatro religiões para saber se a representação que ele fará num filme a respeito de Cristo deixa-os contentes. A discussão rende muito. A outra cena é quando Hobie Doyle não consegue pronunciar corretamente uma palavra e o diretor tenta ensiná-lo.

É diversão garantida, ainda mais se você ficar atento para todas as ironias e referências feitas dentro do filme. Para mim foi um alívio, um retorno à qualidade dos filmes Coen do passado. Para quem não conhece os outros filmes dos irmãos Coen, entre Joel Coen e veja todos (menos “Matadores de velhinhas”, que é um horror – recomendo, aí, a versão original, de Alexander Mackendrick, chamada “Quinteto da morte”).hail_caesar_2016_pic06

“Bridge of spies” recupera a frieza e pragmatismo dos clássicos filmes de espionagem

Nos idos das décadas de 1960 e 1970, uma onda de filmes de espionagem tomou as telas dos cinemas. Filmes como “Intriga internacional” e “Cortina rasgada”, de Alfred Hitchcock, “O emissário de Mackintosh”, de John Huston, “O espião que saiu do frio”, de Martin Ritt, “Sob o domínio do mal”, de John Frankenheimer, “Três dias do Condor”, de Sydney Pollack, “O dia do Chacal”, de Fred Zinnemann, entre tantos outros, ilustravam o clima de desconfiança, neurose e preocupação que assolava os Estados Unidos. Os filmes de James Bond também podem ser enquadrados como tal e também o recente “O espião que sabia demais”, de Tomas Alfredson.

Sempre fui fã deste tipo de filme, provavelmente por influência de meu pai, que sempre consumiu este gênero, inclusive os livros de Ken Follett, Frederick Forsyth, Robert Ludlum e tantos outros.

Tratavam-se de filmes de trama muito bem elaborada, com atores famosos e um cuidado estético que transmitia certa frieza nos acontecimentos. Os personagens eram sólidos, porém nunca de confiança, algo que poderíamos atribuir a uma herança do Film Noir. Porém, neste instante, chamava-se estas narrativas de filmes de espionagem. Nestes filmes, o inimigo sempre eram os soviéticos.

A Guerra Fria acabou e aos poucos a rivalidade com a URSS saiu de cena, dando lugar para árabes, norte-coreanos e traficantes mexicanos. Mas ainda há aqueles que procuram relembrar este período.

Steven Spielberg, no ótimo “Ponte dos espiões” (Bridge of spies), volta a tratar deste tipo de história e background. Não apenas em seu conteúdo, mas também trabalha isso em seu sistema de imagens. A escolha da fotografia (novamente feita pelo parceiro de mais de vinte anos –  Janusz Kaminski), com tons escuros, repletos de penumbra e sombras (mais uma referência à estética noir) remete àqueles filmes dos anos 60 e 70.

Tom Hanks é o astro do filme, no papel de um advogado que passa a defender um homem acusado de ser espião soviético. Este suposto espião é interpretado pelo britânico Mark Rylance, que venceu o Oscar de ator coadjuvante. (cabe a observação – fiquei muito contrariado quando Rylance venceu Stallone. Porém, convenhamos: o filme inteiro é deste ator. Ele é a melhor coisa, com sua interpretação sutil e contida, típica de um astro do teatro shakespeariano, o que ele é!). O personagem é frio e calculista e tem uma frase marcante que se repete no decorrer da história. Sempre que pergunta a ele: “Você não está preocupado?” (sobre a possibilidade de ser assassinado, preso, ou qualquer outra coisa), ele simplesmente responde, num ar blasé “Would It help?”.

A história inicia como aquelas tradicionais de tribunal, mas antes de sua metade ocorre uma virada, que leva o protagonista para a perigosa Berlim Oriental. Lá, tentará trocar seu cliente por dois prisioneiros americanos.

Na época do Oscar vi diversas pessoas questionando exatamente a presença de “Ponte dos espiões” entre os candidatos a melhor filme. Devo discordar destas pessoas. Trata-se de um filme sério, muito bem orquestrado e, ao mesmo tempo, digno da maturidade de um cineasta que já fizera outros filmes de capacidade parecida, como “Munique” e “Lincoln”.

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Sem banquinho, sem violão… isso aqui é a realidade das ruas!

Quando saíram as indicações do Oscar deste ano, um dos comentários feitos é que “Straight outta compton” deveria ter recebido mais indicações. Somente recebeu a de melhor roteiro original, mas muitos clamaram por sua indicação a melhor filme.

O filme dirigido por F. Gary Gray é realmente muito bom. Conta a história da criação do grupo N. W. A. (Niggaz With Attitudes), formado por Dr. Dre, Eazy-E, Ice Cube, Mc Ren e DJ Yella. Provenientes da cidade de Compton, próxima a Los Angeles, na Califórnia, como muitos rapazes negros da região, conviviam com a violência urbana e com a alta repressão policial. Isso é retratado de forma muito intensa no filme, chegando a se tornar o foco principal da primeira metade da história.

Trata-se de um filme que demonstra a ascensão do grupo e sua posterior divisão, com alguns dos artistas partindo para carreiras solo. Eu, particularmente, tenho na figura de Ice Cube uma das mais importantes. É possível perceber na história como ele é diferenciado. Porém, em minha vida particular, tenho o filme “Boyz ‘N the hood – os donos da rua”, dirigido por John Singleton e estrelado por Cube em 1991, como uma daquelas obras que sacramentou a minha aproximação com o cinema. Este filme é mencionado em “Straight…” algumas vezes, e até mesmo cenas aparecem no final, durante os créditos.

“Straight outta Compton” é o nome do primeiro disco do grupo. É ele que dá o pontapé inicial na carreira meteórica destes rappers de tanta importância. As cenas dos shows são muito bem trabalhadas, especialmente em sua montagem. Por sinal, a edição do filme é primoroza. Há um ritmo constante, tanto nestes shows mencionados, como nas frequentes cenas de brigas e de festas promovidas pelos artistas.

O filme foi produzido por Ice Cube e por Tomica Woods-Wright (ex-parceira do falecido Easy-E), o que demonstra o interesse em reconstruir a história do grupo, mas levanta possíveis dúvidas sobre a fabulação a respeito dos personagens. Será que Ice Cube era tão ético e ao mesmo tempo tão firme em suas atitudes? Será que o empresário era tão filho da puta como foi desenhado? Será que Dr. Dre é tão bonzinho e bacana como retratado? Tenho minhas reservas quando uma obra é feita nestas condições.

Mas trata-se de um grande filme, que funciona em sua narrativa, especialmente para admirarmos a ousadia e talento musical dos personagens. Trata-se de um filme longo, com quase duas horas e meia de duração, mas que diverte, emociona e empolga.straight-outta-compton-square

“O filho de Saul” mergulha na podridão do Holocausto

Imagine que você está no Inferno. Melhor: leia um pouco do Inferno de Dante, pense no caos que ele descreve ao atravessar os nove círculos – com gemidos, punições, sofrimento, sangue e morte espalhados por todos os lados. Pense que você caminha trombando em corpos, esgueirando pelas paredes, tomando tapas da cabeça a cada olhada para o lado.

“O filho de Saul”, de László Nemes, recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano, além do Globo de Ouro, do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes e diversos outros prêmios. O filme húngaro conta a história de Saul, um judeu que transita neste Inferno. E o inferno é, na realidade, personificado pelo campo de concentração onde se encontra.

Saul tem como tarefa recolher os corpos dos outros judeus trucidados pelos nazistas e queimá-los. A tarefa tornara-se corriqueira e o homem, de certa forma, parece ter perdido sua humanidade. Como percebemos isso?

É a câmera.

Sim. A câmera.

A câmera fica o filme inteiro ao lado do personagem. Ao lado mesmo. É como se mesclasse uma subjetiva com câmera objetiva. É muito diferente do que estamos acostumados a ver. Ela é mais intensa do que alguns dos filmes dos irmãos Dardenne (que utilizam o mesmo recurso). Fica na mão o tempo todo, acompanhando o frenético movimento do protagonista. A imagem é tão próxima do personagem, que chega a sufocar. Às vezes parece que ela perde Saul de vista, mas logo o encontra novamente.

Os sons martelam em nossas cabeças e se fundem à imagem alucinada que acompanha Saul. Quando surgem situações em que aglomerações se formam (e isso ocorre com frequência), a confusão de sentidos é evidente.

Assistir a este filme pode incomodar. Na realidade, vai incomodar. Mas você tem que estar preparado para passar por esta experiência. Não é a mesma coisa que ver “A lista de Schindler”, nem mesmo “A escolha de Sofia” ou “O pianista”. Estes filmes têm enredos, história que se desenvolvem de forma tradicional. E te fazem chorar no final. Aqui não: é um pequeno evento na vida do personagem. Este ganhará desdobramentos graves, mas é apenas um pequeno evento: ele vê um rapaz morrer na câmara de gás e entende ele como seu filho. “Rouba” o cadáver e quer dar um enterro digno, nas tradições judaicas, para o rapaz. E acaba por aí. É isso o que o personagem quer. Você talvez chore, mas não é este o sentimento. O que se gera é o desespero, o medo e a estupefação.

Com esta atitude, talvez Saul esteja em busca de sua redenção. Perdera sua humanidade. Será que a quer de volta? Talvez não seja isso. Pode ser apenas uma válvula de escape de um inferno estabelecido que poderia ser suplantado pelo retorno à sua fé.

O filme voltou em cartaz para algumas salas, então aproveite para assistir. Mas lembre que, apesar de ser uma experiência incrível, não é um filme fácil de digerir. O horror do Holocausto salta aos nossos olhos.

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Spotlight surpreende e mostra a força do trabalho jornalístico

“Spotlight” se tornou o grande vencedor do Oscar nesta noite. Coincidentemente, isso ocorre no exato ano em que “Todos os homens do presidente”, um dos maiores filmes sobre jornalismo na história, completa 40 anos. É como se fosse uma redenção, visto que o filme não ganhou o prêmio máximo em 1977, perdendo para “Rocky, um lutador”.

O filme a respeito da investigação da equipe especial (equipe Spotlight) do Boston Globe sobre os casos de pedofilia cometidos por membros da Igreja da cidade desbancou os favoritos “O regresso” e “Mad Max – estrada da fúria”.

Não é a primeira vez que este tipo de situação ocorre. Há filmes que ganham muitos prêmios técnicos (caso de “Mad Max”) e aqueles que são francos favoritos (caso de “O regresso”). Acontece que o favoritismo que se traça no Oscar, podem reparar, geralmente se dá pelo número de indicações: “Ganhou mais indicações – favoritoooo!” E a coisa não é bem assim.

É raríssimo acontecer de um filme ganhar o prêmio principal acumulando apenas dois prêmios (o outro foi de roteiro original). Situações de filmes ganharem apenas o prêmio principal aconteceram no início das premiações, com filmes como “Grande Hotel”, em 1932. “Rebecca – a mulher inesquecível”, de Hitchcock, ganhou apenas dois prêmios em 1941, sendo de filme e fotografia PB. Em 1953, o icônico filme “O maior espetáculo da Terra” ganhou filme e história, desbancando o favorito “Matar ou morrer”, que é clássico até hoje.

De memória, escrevendo este texto logo após a premiação, não lembro de nenhum outro caso. Mas dá para ver a raridade, visto que estamos chegando em 90 edições do Academy Awards.

“Spotlight” é um filme exemplar em demonstrar os procedimentos investigativos jornalísticos. Demonstra o quanto a seriedade do trabalho profissional desta equipe fizeram a diferença para conseguir desvendar um tema tão oculto, protegido e grave como aquele que é tratado no filme.

Além disso, os roteiristas tiveram a preocupação de criar conflitos graves para cada um dos personagens. Eles têm personalidades distintas, com dilemas específicos que enriquecem a trama e causam desconforto no espectador.

Ainda estou digerindo a vitória de “Spotlight”. Porém, numa análise mais fria, pode ser que esta escolha se torne muito coerente para todos, principalmente quando os ânimos a respeito de “O regresso” (que é chato) se abrandarem.spotlight-2015-directed-by-tom-mccarthy-movie-review

Se eu fosse votar no Academy Awards…

Não sou de fazer apostas para o Oscar. As apostas, na realidade, são fáceis de fazer. Basta acompanhar os premiados pelos sindicatos de cada categoria (em especial nas técnicas) e o que o Globo de Ouro e o SAG Awards apontaram. Dá para acertar quase tudo. A questão não é adivinhar…. eu gosto mesmo quando o melhor (na minha visão) ganha. Isso é extremamente subjetivo, por isso que cada um opina do jeito que quer.

Assim, é a minha vez de opinar.

Se eu fosse votar no Academy Awards, essas seriam minhas escolhas:

Filme: Mad Max

Diretor: George Miller, por Mad Max (mas rolaria uma dúvida com Lenny Abrahamson, de O quarto de Jack)

Ator: não posso opinar, pois só vi Leozinho em “O regresso”, e não achei nada excepcional. Dizem que o Eddie está incrível

Atriz: Cate Blanchett, por Carol. (na realidade, eu queria a Charlize Theron, mas a Academia fez “o favor” de não indicá-la… e até por causa disso ela ilustra este post)

Ator Coadjuvante: eu ficaria num grande dilema, pois gostei tanto do Stallone (sim, ele tá foda em Creed), do Tom Hardy e do Mark Ruffalo. Mas acho que votaria no Stallone.

Atriz Coadjuvante: de longe, longe, longe, Jennifer Jason Leigh, por Os oito odiados.

Fotografia: O regresso

Montagem, Direção de Arte, Efeitos Visuais, Maquiagem, os dois prêmios de som: Mad Max (esse filme é, tecnicamente, demais) – vale uma menção honrosa à montagem de “A grande aposta”

Figurino: Carol

Trilha Sonora: Os oito odiados (enfim, Morricone deve ganhar)

Canção: 007 contra Spectre

Roteiro Original: Spotlight

Roteiro Adaptado: O quarto de Jack (não daria para “A grande aposta”, que todos tão falando).mad-max-fury-road-charlize-theron

 

“Room” é um filme para se ver sem saber nada a respeito

“O quarto de Jack”, de Lenny Abrahamson, deve ser assistido sem que você saiba nada a respeito dele. É um filme dependente dos sentidos e das emoções. Muito além do que mais uma história de sofrimento. Entenda que, enquanto escrevo, o esforço neste comentário é falar a respeito do filme sem que se fale a respeito do filme. Na minha visão, o espectador deve ir ao cinema sem saber do que se trata a história, para que possa vivenciá-la de forma mais plena e crua, como se ele fosse parte integrante do que ocorre a Jack e sua mãe.

O que mais impressiona no filme, além das atuações dos protagonistas (Jacob Tremblay e Brie Larson) são o roteiro e a fotografia. As ações são muito bem calculadas e acompanhadas por um conjunto de imagens que está em sintonia com os sentimentos que o diretor pretende gerar. É bem explícita, para um olhar atento, que há uma intenção por trás de cada escolha de enquadramento, lente e movimentação de câmera. Trata-se de uma aula de cinema imposta por Abrahamson que, mesmo numa carreira ainda em construção, recebeu a merecida indicação ao Oscar de Melhor Direção.

A angústia gerada pela incerteza no destino dos personagens é um de seus diferenciais. Por este motivo que defendo que não se revele o plot da trama. Na realidade, o plot é mínimo, sendo o filme centrado nos afetos que envolvem aquelas pessoas. A partir de uma virada que ocorre na trama, os sentimentos são tão intensos que lágrimas brotam nos olhos e, no meu caso, insistiram em brotar até o final do filme. Foi quase uma hora enxugando os olhos. É um filme muito intenso que demanda concentração e sensibilidade.

Não caia na tentação de ler sinopses a respeito do filme. Vá de coração aberto. E leve alguém que possa abraçar.room

SOBRE “THE REVENANT”, de IÑARRITU

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“O regresso” é um filme muito bonito. Esteticamente, é um primor. A câmera de Emmanuel Lubezki é impressionante. Iñarritu encontrou a medida com este fotógrafo, realizando dois filmes de qualidade técnica indiscutível. (o anterior, para quem não lembra, foi o “Birdman”)
Trata-se de um filme de faroeste. Mas é um faroeste atípico. Há índios, há mocinhos e bandidos, mas não há aqueles convencionais pistoleiros. Eles não se adequariam à história. O filme nada mais é do que uma história de vingança. Porém, esta história de vingança é valorizada pela forma que o filme é contado, com plano-sequência, câmera na mão, luz natural e etc…
Quem me conhece sabe que não sou um grande fã do DiCaprio. Porém, reconheço que ele está muito maduro no papel de Glass. Maduro não significa excepcional. E, podem brigar, muito menos significa que ele deva ganhar o Oscar por este filme. Ele vai ganhar? Vai. Tanto por causa de sua carreira como por causa da celeuma criada em volta disso. “Leozinho” esteve bem melhor, por exemplo, em “O lobo de Wall Street”, mas teve o azar de concorrer com um Matthew McConaughey inspirado. A interpretação de DiCaprio em “The Revenant” é muito valorizada pelas câmeras na mão, pela lente grande angular e pelos ângulos escolhidos por Iñarritu. Não é fácil atuar sem falar muito num filme, mas realmente não vejo nada de tão marcante.
Se tiver que ser ainda mais específico, considero a atuação de Tom Hardy muito mais impactante do que a de Leonardo. Sim, os acontecimentos mais drásticos se dão com o protagonista, mas o vilão de Tom Hardy é excepcional. Por sinal, este ator tem crescido a cada atuação que realiza. Ironicamente, Hardy deve perder para Stallone, que está ótimo em “Creed”.
Esse filme tem uma cara de épico. Com esta fotografia acinzentada, sua câmera bem trabalhada, cenas muito impactantes (ok, a cena do urso é foda!) e um ritmo muito particular. A mim, o filme lembrou, guardadas as devidas proporções e a temática diferente, “Quando os homens são homens”, de Altman, tanto pelo cenário gelado quando pela condução da história. O filme é longo, tortura um pouco o espectador, acredito que intencionalmente. É para sentirmos o peso do isolamento, da falta de recursos, da ausência de opções que os personagens têm.
Para terminar, novamente quero falar da fotografia do filme: será o terceiro Oscar seguido de Lubezki? (deixando bem claro que ele já deveria ter ganho por “A árvore da vida”) Provavelmente ganhará, mas não esqueçam de John Seale, por “Mad Max”, que também é impressionante.

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