O que é ser um amigo?

amigo

O que é ser um amigo?

Como que uma pessoa demonstra amizade por ti? Como você sente a amizade de alguém?

A primeira coisa a ser pensada é se este alguém lhe quer bem. Mas como que esta pessoa pode lhe demonstrar te querer bem?

Eu sou daqueles que valoriza muito mais a ação do que a palavra. Não adianta você falar que gosta de alguém se você não demonstra isso por meio de suas atitudes. Neste mundo que vivemos, há muitas palavras que disfarçam sentimentos. Pois a palavra é fácil, basta abrir a boca e dela sairá qualquer coisa, sem esforço. Pode ser muito sincera… mas é fácil mentir.

Já a ação dá muito mais trabalho. Alguém tomar uma atitude em seu benefício, alguém realmente mostrar que se importa com você, alguém que levanta de sua poltrona, de seu conforto, para ajudar você.

Sim. Há aqueles que querem simplesmente AJUDAR você.

Uma pessoa que é do bem sai de seu mundinho e olha para o próximo, que pode estar sendo vítima de preconceito, de alguma degradação (física, social, moral), ou de alguma injustiça.

Às vezes, ser amigo é dizer verdades que o outro não quer escutar, mas que sabe que precisam ser ouvidas. É muito fácil ficar à distância e condenar, ou simplesmente lamentar os infortúnios do outro, sem ver que você poderia de alguma forma ajudar.

Há aquelas situações em que a pessoa faz o bem para ti e nem mesmo se importa em você saber que foi ela que fez para você. Sua satisfação está em saber que fez. Sim, que fez por você, que por algum motivo ela considera, respeita, quer bem. Ela não quer ter o benefício de seu reconhecimento: ela só quer o seu bem.

Há ocasiões em que ser amigo é simplesmente dar um abraço, dar um conforto, dizer que está lá. Ser amigo é simplesmente ser você. Ser sincero, ou até mesmo ficar longe, se é isto que o outro quer, ou se é isso que até mesmo você quer. Para quê fingir a amizade?

O amigo – o verdadeiro amigo – merece ser homenageado. Saibamos ou não quem eles são. Para aqueles que sei, um abraço bem forte. Para aqueles que não sei, mas que são, obrigado, muito obrigado. Tenho certeza que você entendeu.

De qual lado parte a censura?

Como pôde ser lido nos dois posts abaixo, a psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida após publicar artigo no conhecido jornal “O Estado de S. Paulo”. Há muitos anos que aprecio os textos escritos por ela, sempre reflexiva e profunda em suas análises, em especial aquelas ligadas à Comunicação.

Verifique os textos abaixo, começando pelo artigo da autora e depois siga para a entrevista. Os comentários de Maria Rita Kehl são pertinentes e devem ser matéria de reflexão, visto que diz verdades que muitos de nós não paramos para pensar ou, em muitos casos, preferimos não reconhecer.

Cabe aqui uma linha de repúdio à atitude da cúpula do Grupo Estado, que dá sinais de que sua “luta” contra a censura vai apenas até a página dois. Dizem que não há Estado (desculpe o trocadilho) democrático sem imprensa livre, mas esta imprensa somente será realmente livre se for composta de jornalistas livres, ainda mais os colunistas, articulistas e cronistas. O trabalho do jornalista, que é, em pessoa, um veículo da liberdade de expressão e informação, não deve ser ceifado pelos executivos que decidem a pertinência de notícias e opiniões conforme metas administrativas e políticas.

Será que sonho? Será que isso é possível? Provavelmente não é possível. Está é a realidade dos veículos de comunicação que são representados por grandes empresas.

Chega a parecer ingênuo escrever tais frases, pois esta realidade sempre esteve presente. A diferença é que ela comumente ocorre dentro das redações, no dia-a-dia das salas de reuniões, afastada dos leitores. Mas de vez em quando surge um fato como este, referente à demissão de uma estudiosa tão respeitada, para nos despertar e lembrar que a imprensa geral trabalha conforme seus interesses e não os daqueles que os leem.

Mas… Qual é a novidade?

Dunga, valeu!

Vai começar tudo de novo.

O Brasil perdeu e foi desclassificado da Copa do Mundo da África do Sul. E a caça às bruxas já começou. Assistindo ao “Central da Copa”, da Rede Globo, mais de 90% do tempo foi dedicado a criticar a seleção.

Será que não conseguimos ser bons perdedores?

Será que sempre que perdermos é porque temos culpa?

Será que não é possível reconhecer que a outra seleção foi melhor, que nos encurralou, que conseguiu desestabilizar-nos emocionalmente? Tudo isso faz parte do jogo de futebol. Há uns quinze anos, era isso o que víamos nas partidas que jogávamos contra a Argentina: era um bando de “cai-cai” e nossos jogadores ficavam super nervosos, o que afetava o rendimento e fazia nossos hermanos deitarem e rolarem. Ou vocês acham que se fizéssemos a sonhada final com a Argentina, comandada pelo Maradona (que era o maior “cai-cai”), isso não aconteceria?

Já ressuscitaram também a discussão a respeito de Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho.

Criticam o Felipe Melo, a falta de opção no banco e, nas entrelinhas, criticam a postura do Dunga.

Discordo veementemente.

A postura do Dunga foi adequada para fazer com que o time não perdesse o foco. Todo mundo falou da Família Scolari em 2002. Podemos dizer que hoje há uma Família Dunga. Os jogadores realmente gostam dele, de sua liderança e de seu comprometimento (sim, é uma palavra importante, apesar de muitos terem tentado diminuí-la e ridicularizá-la). O goleiro Júlio César, num discurso emocionado, disse ontem à noite que eles queriam ganhar o hexa para o Dunga. Por que ele falaria isso se não fosse de coração? O Dunga está de saída, não precisaria mais ser agradado.

É simples. O grupo ficou fechado, e isso exatamente devido às atitudes do Dunga. Muitas vezes estas atitudes incomodam a imprensa, que não deve perceber, mas vive um paradoxo: quer cobrir a seleção e ter acesso aos atletas, mesmo que o comandante responsável pela equipe considere que isso prejudique o desempenho e concentração deles. Ao invés de apoiar a decisão do técnico, criticam sua atitude, e insistem na necessidade do acesso pois “o público brasileiro precisa ter notícias, tem este direito”. No fundo, não se questionam muito se sua presença causa algum problema. Porém, se causar, não tem problema, pois darão paulada na cabeça do técnico de qualquer jeito. Se der errado, tudo será culpa dele. Se der certo, a imprensa ajudou a fazer a tal da “corrente pra frente”. Ou seja, a imprensa não quer questionar se seu papel afeta a seleção. Quer, na verdade, gerar notícias. Ponto final. Se ganhar ou se perder, no fundo, tudo será notícia. Quem não escutou nos programas esportivos: “A tragédia anunciada aconteceu. Vimos o filme que o trailer mostrou que ocorreria.”

O Galvão Bueno disse que é “só um jogo”. E isso é o que devemos ter em mente. É só um jogo. São trinta e dois times e somente UM vence. Não podemos reconhecer que não fomos os melhores? Simplesmente, não fomos os melhores. Outros times de calibre saíram da Copa, de forma às vezes vexatória, e outros ainda sairão. Só vai sobrar UM.

Não culpem o Dunga. Vejam o que ele fez. Ele falou algo na coletiva que realmente é importante: durante o comando dele foi resgatado o prazer e a responsabilidade de servir a Seleção Brasileira, algo que estava perdido, em especial na última seleção que esteve na Copa da Alemanha, em 2006, e que deu muito acesso à imprensa. Ah tá, mas a culpa da derrota foi do Roberto Carlos, que estava ajustando a meia. Brincadeira, né!

Tenhamos a humildade de reconhecer nossas fraquezas e que fomos derrotados pela Holanda, outro time de tradição, que está há dois anos invicto, tomou pouquíssimos gols neste período e que soube aproveitar melhor nossas falhas quando estávamos pior.

Dunga deve sair de cabeça erguida. Sua cabeça está “inchada”, como se diz no esporte, mas faz parte. Reconheçam o que o cara fez. Ele não estava aí para participar de concurso de popularidade, nem para ser o queridinho da imprensa. Ele estava lá para fazer o trabalho da forma que ele considera correta. Não cacem o bruxo Dunga. Não sejam injustos.

Por mim, Dunga, valeu!!!!

Elegia a Saramago

Dos rincões do Ribatejo surgiram palavras poderosas

fecundadas numa vida rica em experiência.

Frases belas para criar longas reflexões,

como ensaios em forma de romance.

Personagens saltam de suas páginas:

Blimunda,

Tertuliano,

Salomão,

Cipriano,

Fernando Pessoa visto como fantasma.

Polêmica e personalidade embebidos em conhecimento profundo,

Reflexões únicas, criativas,

Versatilidade

A busca implementada pelo Sr. José, em “Todos os nomes”,

é similar à busca deste outro Sr. José: inefável, intensa, às vezes ilógica.

Nada como ter Lanzarote como lar,

com seus vulcões de energia latente,

inspiração para a lava de seus verbos.

Lembro da cruz de sangue que Blimunda traça em seu amante,

O terno cão das lágrimas,

A viagem da Península Ibérica,

Ricardo Reis vagando por Lisboa,

Imagens, imagens.

*

Pena que hoje a morte não estava em greve como certa vez ele descreveu

Agora parte, em busca de sua ilha desconhecida,

a qual não deveria ser descoberta

pois desconhecida não deveria deixar de ser.

*

Vá amigo, vá

Grato pela presença,

Sua memória não perecerá.

Para José Saramago

16/11/1922 – 18/06/2010

***

Veja textos escritos sobre Saramago em “A Lamparina”:

A viagem do elefante

Ensaio sobre a cegueira

Ensaio sobre a cegueira II

O texto poético

O homem duplicado

Equally in love

Há pessoas e situações que ocorrem em nossas vidas que nem sempre temos palavras para agradecer. Surgem súbitas e emergem diretamente para nossos corações. Mudam nosso cotidiano com sua doçura e seu jeito único.

Os afortunados que passam por esta experiência nem sempre podem retribuir, mas ao menos podem expor uma singela homenagem ao som dos Beatles.

Let me out

Há músicas que mexem com nossa sensibilidade. Não são poucas, mas também não são tantas assim. E quando aparece uma destas, temos que compartilhar.

A canção abaixo é dos Ben’s Brothers. Chama “Let me out” e coloco aqui em homenagem a uma pessoa em especial. Está um pouco fora de sinc com a imagem, mas o que vale mesmo é a música.

“Hallelujah”

Ao pensar em sentimento, naquilo que torna nossos corações frágeis como folhas de seda, diversos momentos podem ser lembrados. Há alguns anos, eu passava por um período de tristeza devido a questões amorosas. Quando isso acontece, nos surpreendemos com o que pode nos sensibilizar.

Eu assistia ao filme Shrek, que nem gosto muito, quando começou a tocar esta canção. “Hallelujah”, de Rufus Wainwright. Quando percebi, já estava chorando. E não era por causa daquele bicho gordo e verde. Era por causa da melodia, do tempo, que traduzia perfeitamente o que eu sentia.

A canção rola como uma prece, mas trata do amor.

Depois que escutei a música no filme, fui atrás. Encontrei e repeti a audição diversas vezes, como uma autoflagelação, pois chorava toda vez que escutava. Hoje, ainda escuto. Mas não choro mais. Apenas me emociono, o que já me basta.

Esta postagem é uma homenagem ao sentimento, ao amor, ao sofrimento e à capacidade que as músicas têm de mexer conosco.