“Mulher Maravilha”: entre a redenção e um empoderamento feminino mal trabalhado

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Assistir ao filme “Mulher Maravilha”, de Patty Jenkins, traz um alívio muito grande, ao mostrar que a DC Comics e a Warner ainda conseguem fazer bons filmes protagonizados pelos seus grandes heróis. Depois de obras controversas ou até mesmo ruins como “Batman vs. Superman” ou “O homem de aço” (que é melhorzinho), ambos de Zack Snyder, “Mulher Maravilha” pode ser comparado à qualidade do que tem sido feito pela Disney / Marvel, principalmente no que se refere aos filmes de origem de seus super-heróis.

Mas algo me incomodou muito. Houve uma grande espectativa por trás do lançamento do filme, por ser protagonizado por uma heroína, uma personagem feminina. Os filmes lançados nos últimos tempos têm sido sempre com heróis masculinos, assim, a sincronia com os tempos atuais, em que o feminismo ganhou tanto espaço, fez com que esperássemos um em que a personagem fosse tão impactante quanto os de outros filmes. Acho que isso não ocorreu na medida que poderia ter ocorrido. Percebi que foi dado um espaço muito grande ao personagem Steve Trevor, interpretado por Chris Pine. Ele comanda muitas das decisões dentro da trama. Claro que Diana, a Mulher Maravilha, interpretada pela ótima Gal Gadot, também faz isso.

Mas façamos uma comparação. Nos filmes do Superman, qual é o espaço de transformação da trama a partir da personagem de Lois Lane? Nos do Batman, como são suas várias namoradas? No Homem de Ferro, até que ponto Pepper influencia na trama? E assim por diante. Não há um equilíbrio. O protagonista realmente conduz o filme nestes casos citados. Não vejo isso em “Mulher Maravilha”.

Na minha visão, a DC ainda tem medo de colocar a trama totalmente na mão da protagonista feminina. Isso é uma besteira, pois não difere de tantos filmes convencionais em que temos mulheres de iniciativa que tomam as rédeas de suas histórias. Novamente: em “Mulher Maravilha” muitas das decisões são por parte de Diana, mas percebo que há uma clara divisão com o capitão Steve Trevor, que é o clássico herói de guerra, que se sacrifica para salvar as pessoas, e blá blá blá.

O filme, como mencionei acima, nos dá ciência da origem de Diana, a princesa de Temiscira, filha de Zeus e da rainha das amazonas. Ela está destinada a lutar contra Ares, o Deus da Guerra. Na sua visão, ele se manifesta no conflito da Primeira Guerra Mundial, para a qual parte após conhecer Steve Trevor. A história é delimitada pela exibição da presença de Diana nos “dias atuais”, quando recebe contato de Bruce Wayne – o que cria uma conexão com o filme anterior do Universo DC.

As cenas de batalha são muito boas e originais, com um trabalho de montagem empolgante. Eles abusam da fábula para criar movimentos inusitados nas personagens, sejam as amazonas, seja a própria Diana. Somente um momento me incomodou, em que ela utiliza seu laço da verdade para atacar vários alemães em alta velocidade na batalha dentro da vila francesa. Ficou fake, bem similar à superficialidade de movimento de algumas cenas de “Matrix Reloaded”, de mais de dez anos atrás.

A batalha final é incrível e muito bem construída. O vilão é atemorizante, ainda mais pela forma como é construída a espectativa quanto à capacidade de seu poder. É um momento climático tenso, bem conduzido pela jornada do herói, base para a história.

Assistir a este filme traz um certo alento pois, se formos recapitular, os grandes filmes de heróis são aqueles que têm personagens da DC Comics. Claro que aqui é uma posição totalmente opinativa e nada científica de minha parte, mas “Batman, o cavaleiro das trevas” e “Batman Begins”, de Christopher Nolan, assim como o primeiro Superman com Christopher Reeve, dirigido pelo grande Richard Donner, são ótimos exemplos desta qualidade.

Quero mais! Acho que “Mulher Maravilha” ainda pode ser melhor. Não precisa ser panfletário, mas precisa dar ainda mais espaço para a personagem. A produtora tem que ser menos covarde e deixar nas mãos da protagonista. Confiem na Gal Gadot, pois ela mostrou que tem qualidade, acima do carisma e da beleza.

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