“As baleias de agosto” ainda é um belo testamento de Davis e Gish

the-whales-of-augustQuando Bette Davis morreu, em 1989, lembro do noticiário enaltecendo aquele que foi seu último filme de grande repercussão: “As baleias de agosto”, dirigido pelo clássico diretor Lindsay Anderson, ironicamente se tornou o último filme dela (exceto pelo pouco conhecido “A madrasta”) e também de sua parceira de cena: Lillian Gish. Eu era novo, mas já gostava muito de cinema. Sabia a importância daquela de Bette Davis, porém apenas havia assistido um filme com ela – “O que terá acontecido a Baby Jane?”.

Para aqueles que gostam de cinema, o nome destas duas mulheres remonta àquilo que foi um dos melhores períodos do cinema hollywoodiano. Bette Davis foi a grande diva, super premiada, vencedora de dois Oscar, protagonista do incrível “A malvada”. Lillian Gish era mais velha que sua parceira. Participara de dois filmes seminais do cinema mundial: “O nascimento de uma nação” e “Intolerância”, ambos de D. W. Griffith.

Em “As baleias de agosto” (“The Whales of August”, 1987) temos a possibilidade de ver um filme de sensibilidade única. Além de se concentrar em personagens idosos (algo que não se vê muito, mas vale apontar o ótimo filme “Juventude”), concentra três monstros sagrados: as duas atrizes mencionadas e o conhecido Vincent Price.

A história é simples. Duas irmãs muito idosas vivem numa ilha onde sempre estiveram. Uma das atividades que as conduziu por toda a vida era esperar a passagem das baleias que circulavam a orla no mês de agosto. Agora muito idosas, as duas senhoras (uma doce e ativa, a outra amarga e que perdera a visão) convivem em meio ao questionamento sobre a forma de encarar o fim da vida e como lidar com suas memórias e desejos.

O filme é muito delicado, principalmente devido à atuação de Lillian Gish. Seu olhar pontua o drama, dando o compasso dos momentos graves, sensíveis e até mesmo de decepção. Traz diversas reflexões para o espectador. Como encarar esta etapa da vida? O que nos alimentará? Seriam as lembranças? Seria a rotina? Seria a angústia? A presença dos outros personagens – o ex-nobre russo (Price), o faz-tudo (Harry Carey Jr.) e a amiga intrometida (Ann Sothern) apenas trazem mais elementos para estes pensamentos das duas irmãs.

Demorei para assistir a este filme. Já tinha ele aqui há anos, desde que a Lume Filmes resolveu lançar em DVD aqui no Brasil. Acho que o timing foi bom, já que acredito que é necessário estar mais maduro para valorizar ainda mais essa obra. Trata-se de um filme de apenas uma hora e meia de duração, mas é daqueles que em sua curta duração consegue aglutinar muitas sensações.

Foi um belo testamento para ser deixado pelas duas.

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