“Ave, César!” lava a alma dos amantes dos Coen e do cinema

Eu sou daqueles que viram todos os filmes dos irmãos Coen. Desde que comecei a me envolver com cinema, são dois cineastas por quem nutri uma relação de amor, muito amor, e ódio, pouco ódio. Faz uns dez anos que não fico plenamente satisfeito com um filme deles. Acredito que o último que realmente me cativou foi “O homem que não estava lá”, de 2001. Neste meio tempo, eles ganharam até mesmo o Oscar de melhor filme, com “Onde os fracos não têm vez”. É um filme diferente, de certa forma interessante, por sair das convenções de Hollywood, mas não me satisfez. “Bravura indômita” chegou bem perto, mas ainda não era o mesmo que os filmes que a dupla fez nos anos 90.

“Ave, César!”, novo filme de Joel e Ethan Coen, resgata a qualidade cômica de obras anteriores como “Arizona nunca mais”, “Barton Fink – delírios de Hollywood”, “Na roda da fortuna” e “O grande Lebowsky”. Chamo atenção especial para “Barton Fink”, pois também se trata de um filme que coloca um olhar satírico para Hollywood e sua forma grotesca de se relacionar com o mundo.

Mesmo em filmes que não são comédias, esses cineastas sempre flertam com o humor. Às vezes este humor é aquele que designamos como humor negro (caso que ocorre em “Fargo”), mas às vezes é escrachado.

“Ave, César!” está neste segundo grupo. Estamos nos anos 1950 e podemos acompanhar o dia a dia de Eddie Mannix (Josh Brolin), produtor da Capitol Pictures (também a produtora onde ocorre a trama de “Barton Fink”). Com isso, temos a possibilidade de experimentar algumas das situações grotescas que dá-se a entender serem comuns em Hollywood. Claro que com os exageros típicos do gênero e dos cineastas, mas mesmo assim a crítica está bem clara.

Baird Whitlock (George Clooney), um consagrado ator canastrão, é sequestrado por comunistas que pedem resgate ao estúdio; Hobie Doyle (Alden Ehrenreich) é um ator de westerns que é escalado para um drama e não consegue corresponder (o que enlouquece o diretor do filme, interpretado pelo grande Ralph Fiennes) e DeeAnna Moran (Scarlett Johansson) é uma atriz coquete de musicais a la Busby Berkeley que casa e descasa a todo momento e agora encontra-se grávida, sem saber quem é o pai seu filho.

O filme se divide nestes três personagens, conectados pela figura de Mannix, que também tem seus próprios conflitos, visto que todas as madrugadas acaba procurando o padre de sua paróquia para se confessar.

Há cenas hilariantes no filme. Destaco quando Mannix consulta os representantes de quatro religiões para saber se a representação que ele fará num filme a respeito de Cristo deixa-os contentes. A discussão rende muito. A outra cena é quando Hobie Doyle não consegue pronunciar corretamente uma palavra e o diretor tenta ensiná-lo.

É diversão garantida, ainda mais se você ficar atento para todas as ironias e referências feitas dentro do filme. Para mim foi um alívio, um retorno à qualidade dos filmes Coen do passado. Para quem não conhece os outros filmes dos irmãos Coen, entre Joel Coen e veja todos (menos “Matadores de velhinhas”, que é um horror – recomendo, aí, a versão original, de Alexander Mackendrick, chamada “Quinteto da morte”).hail_caesar_2016_pic06

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