“Bridge of spies” recupera a frieza e pragmatismo dos clássicos filmes de espionagem

Nos idos das décadas de 1960 e 1970, uma onda de filmes de espionagem tomou as telas dos cinemas. Filmes como “Intriga internacional” e “Cortina rasgada”, de Alfred Hitchcock, “O emissário de Mackintosh”, de John Huston, “O espião que saiu do frio”, de Martin Ritt, “Sob o domínio do mal”, de John Frankenheimer, “Três dias do Condor”, de Sydney Pollack, “O dia do Chacal”, de Fred Zinnemann, entre tantos outros, ilustravam o clima de desconfiança, neurose e preocupação que assolava os Estados Unidos. Os filmes de James Bond também podem ser enquadrados como tal e também o recente “O espião que sabia demais”, de Tomas Alfredson.

Sempre fui fã deste tipo de filme, provavelmente por influência de meu pai, que sempre consumiu este gênero, inclusive os livros de Ken Follett, Frederick Forsyth, Robert Ludlum e tantos outros.

Tratavam-se de filmes de trama muito bem elaborada, com atores famosos e um cuidado estético que transmitia certa frieza nos acontecimentos. Os personagens eram sólidos, porém nunca de confiança, algo que poderíamos atribuir a uma herança do Film Noir. Porém, neste instante, chamava-se estas narrativas de filmes de espionagem. Nestes filmes, o inimigo sempre eram os soviéticos.

A Guerra Fria acabou e aos poucos a rivalidade com a URSS saiu de cena, dando lugar para árabes, norte-coreanos e traficantes mexicanos. Mas ainda há aqueles que procuram relembrar este período.

Steven Spielberg, no ótimo “Ponte dos espiões” (Bridge of spies), volta a tratar deste tipo de história e background. Não apenas em seu conteúdo, mas também trabalha isso em seu sistema de imagens. A escolha da fotografia (novamente feita pelo parceiro de mais de vinte anos –  Janusz Kaminski), com tons escuros, repletos de penumbra e sombras (mais uma referência à estética noir) remete àqueles filmes dos anos 60 e 70.

Tom Hanks é o astro do filme, no papel de um advogado que passa a defender um homem acusado de ser espião soviético. Este suposto espião é interpretado pelo britânico Mark Rylance, que venceu o Oscar de ator coadjuvante. (cabe a observação – fiquei muito contrariado quando Rylance venceu Stallone. Porém, convenhamos: o filme inteiro é deste ator. Ele é a melhor coisa, com sua interpretação sutil e contida, típica de um astro do teatro shakespeariano, o que ele é!). O personagem é frio e calculista e tem uma frase marcante que se repete no decorrer da história. Sempre que pergunta a ele: “Você não está preocupado?” (sobre a possibilidade de ser assassinado, preso, ou qualquer outra coisa), ele simplesmente responde, num ar blasé “Would It help?”.

A história inicia como aquelas tradicionais de tribunal, mas antes de sua metade ocorre uma virada, que leva o protagonista para a perigosa Berlim Oriental. Lá, tentará trocar seu cliente por dois prisioneiros americanos.

Na época do Oscar vi diversas pessoas questionando exatamente a presença de “Ponte dos espiões” entre os candidatos a melhor filme. Devo discordar destas pessoas. Trata-se de um filme sério, muito bem orquestrado e, ao mesmo tempo, digno da maturidade de um cineasta que já fizera outros filmes de capacidade parecida, como “Munique” e “Lincoln”.

Bridge_Of_Spies_review

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