Spotlight surpreende e mostra a força do trabalho jornalístico

“Spotlight” se tornou o grande vencedor do Oscar nesta noite. Coincidentemente, isso ocorre no exato ano em que “Todos os homens do presidente”, um dos maiores filmes sobre jornalismo na história, completa 40 anos. É como se fosse uma redenção, visto que o filme não ganhou o prêmio máximo em 1977, perdendo para “Rocky, um lutador”.

O filme a respeito da investigação da equipe especial (equipe Spotlight) do Boston Globe sobre os casos de pedofilia cometidos por membros da Igreja da cidade desbancou os favoritos “O regresso” e “Mad Max – estrada da fúria”.

Não é a primeira vez que este tipo de situação ocorre. Há filmes que ganham muitos prêmios técnicos (caso de “Mad Max”) e aqueles que são francos favoritos (caso de “O regresso”). Acontece que o favoritismo que se traça no Oscar, podem reparar, geralmente se dá pelo número de indicações: “Ganhou mais indicações – favoritoooo!” E a coisa não é bem assim.

É raríssimo acontecer de um filme ganhar o prêmio principal acumulando apenas dois prêmios (o outro foi de roteiro original). Situações de filmes ganharem apenas o prêmio principal aconteceram no início das premiações, com filmes como “Grande Hotel”, em 1932. “Rebecca – a mulher inesquecível”, de Hitchcock, ganhou apenas dois prêmios em 1941, sendo de filme e fotografia PB. Em 1953, o icônico filme “O maior espetáculo da Terra” ganhou filme e história, desbancando o favorito “Matar ou morrer”, que é clássico até hoje.

De memória, escrevendo este texto logo após a premiação, não lembro de nenhum outro caso. Mas dá para ver a raridade, visto que estamos chegando em 90 edições do Academy Awards.

“Spotlight” é um filme exemplar em demonstrar os procedimentos investigativos jornalísticos. Demonstra o quanto a seriedade do trabalho profissional desta equipe fizeram a diferença para conseguir desvendar um tema tão oculto, protegido e grave como aquele que é tratado no filme.

Além disso, os roteiristas tiveram a preocupação de criar conflitos graves para cada um dos personagens. Eles têm personalidades distintas, com dilemas específicos que enriquecem a trama e causam desconforto no espectador.

Ainda estou digerindo a vitória de “Spotlight”. Porém, numa análise mais fria, pode ser que esta escolha se torne muito coerente para todos, principalmente quando os ânimos a respeito de “O regresso” (que é chato) se abrandarem.spotlight-2015-directed-by-tom-mccarthy-movie-review

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