SOBRE “THE REVENANT”, de IÑARRITU

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“O regresso” é um filme muito bonito. Esteticamente, é um primor. A câmera de Emmanuel Lubezki é impressionante. Iñarritu encontrou a medida com este fotógrafo, realizando dois filmes de qualidade técnica indiscutível. (o anterior, para quem não lembra, foi o “Birdman”)
Trata-se de um filme de faroeste. Mas é um faroeste atípico. Há índios, há mocinhos e bandidos, mas não há aqueles convencionais pistoleiros. Eles não se adequariam à história. O filme nada mais é do que uma história de vingança. Porém, esta história de vingança é valorizada pela forma que o filme é contado, com plano-sequência, câmera na mão, luz natural e etc…
Quem me conhece sabe que não sou um grande fã do DiCaprio. Porém, reconheço que ele está muito maduro no papel de Glass. Maduro não significa excepcional. E, podem brigar, muito menos significa que ele deva ganhar o Oscar por este filme. Ele vai ganhar? Vai. Tanto por causa de sua carreira como por causa da celeuma criada em volta disso. “Leozinho” esteve bem melhor, por exemplo, em “O lobo de Wall Street”, mas teve o azar de concorrer com um Matthew McConaughey inspirado. A interpretação de DiCaprio em “The Revenant” é muito valorizada pelas câmeras na mão, pela lente grande angular e pelos ângulos escolhidos por Iñarritu. Não é fácil atuar sem falar muito num filme, mas realmente não vejo nada de tão marcante.
Se tiver que ser ainda mais específico, considero a atuação de Tom Hardy muito mais impactante do que a de Leonardo. Sim, os acontecimentos mais drásticos se dão com o protagonista, mas o vilão de Tom Hardy é excepcional. Por sinal, este ator tem crescido a cada atuação que realiza. Ironicamente, Hardy deve perder para Stallone, que está ótimo em “Creed”.
Esse filme tem uma cara de épico. Com esta fotografia acinzentada, sua câmera bem trabalhada, cenas muito impactantes (ok, a cena do urso é foda!) e um ritmo muito particular. A mim, o filme lembrou, guardadas as devidas proporções e a temática diferente, “Quando os homens são homens”, de Altman, tanto pelo cenário gelado quando pela condução da história. O filme é longo, tortura um pouco o espectador, acredito que intencionalmente. É para sentirmos o peso do isolamento, da falta de recursos, da ausência de opções que os personagens têm.
Para terminar, novamente quero falar da fotografia do filme: será o terceiro Oscar seguido de Lubezki? (deixando bem claro que ele já deveria ter ganho por “A árvore da vida”) Provavelmente ganhará, mas não esqueçam de John Seale, por “Mad Max”, que também é impressionante.

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2 comentários em “SOBRE “THE REVENANT”, de IÑARRITU

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  1. Um justo e maduro post, discorrendo sobre uma filme que está “na moda” e sendo ovacionado muito antes do Oscar, passando por referências a outros filmes (Creed, por exemplo, não assisti, mas fiquei com mais vontade depois de ler aqui) e por fim, fazendo uma análise imparcial, mas não menos verdadeira de DiCaprio.
    Uma belíssima análise que me deu vontade de ler ou assistir mais sobre as referências.

  2. Pelo trailer que assisti na TV já estava com vontade de ver este filme com Leonardo Di Caprio. O seu ensaio dobrou a minha vontade. Seria realmente uma injustiça não receber o Oscar de melhor ator.

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