Uma pincelada na questão amazônica

O problema amazônico é muito mais complexo do que a maioria de nós, seres sudestinos, imaginamos. Sejamos sinceros, estamos pouco nos importando com o que acontece lá. Enfim, estão a mais de 5.000 quilômetros de distância. Mas é importante termos esta preocupação e voltarmos nossos olhos para este território. E não é por nos acharmos na obrigação de olhar lá, pela biodiversidade, ou por qualquer outro motivo politicamente correto que lemos por aí. A preocupação deve ser a cobiça que envolve aquela terra. E nós temos a obrigação de, no mínimo, ficarmos atentos às políticas implementadas pelo Governo Federal para a proteção de sua soberania.

Acabo de assistir ao programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes de Televisão, no qual a equipe de excelentes jornalistas entrevistaram os generais Gilberto e Claudio Figueiredo, exatamente a respeito destas questões. Como sempre, o programa foi muito bom, elucidativo e repleto de perguntas que instigaram minha curiosidade.

Dentre todos os assuntos abordados a respeito da proteção e atuação militar na Amazônia, teve uma que me chamou mais a atenção. Antes de falar dela, gostaria de preparar um pouco você para não rejeitar a possibilidade que vou apresentar. Claro que não devemos ser neuróticos, nem mesmo reagir exageradamente quanto a qualquer acontecimento, mas saiba que males que ocorrem pelo mundo também podem acontecer por aqui. Por que acontecem na África, no Afeganistão, na Colômbia, no Panamá, dentre outros, e não ocorreriam aqui? Por que apenas o nosso território seria respeitado, quando o de outras nações não são? Ainda mais quando temos um patrimônio como a Amazônia, repleta de riquezas e potencialidades ainda pouco exploradas. Lembrem que há várias modalidades de invasão. Desde a invasão mais descarada, quando você simplesmente entra com as tropas e toma o local, como também há aquelas mais paulatinas, que são amparadas por legislações internacionais.

De acordo com os irmãos generais, com a instalação desordenada de ONGs internacionais na floresta amazônica, sem a devida fiscalização, há o risco de algumas destas entidades mascararem interesses externos em transformar as áreas indígenas em nações independentes. De uma forma rápida e resumida, funcionaria mais ou menos da seguinte forma: seria estimulada a formação de blocos fechados de nações indígenas. Cada reserva se fecharia e se declararia independente do Estado brasileiro, mesmo estando contidas em nosso território. Seria como se fosse uma “ilha indígena” cercada por todos os lados de terra estrangeira (que, neste caso, é brasileira). A partir daí, alguma nação estrangeira poderia intervir como se viesse em socorro desta pretensa nação formada no território indígena. Com isso, algum dos países desenvolvidos poderia tomar conta (em outras palavras: posse) deste território, com a primeira desculpa de cuidar daquele “povo sofrido” para, na realidade, explorar a região, que é rica em recursos minerais, botânicos e etc.. Foi até utilizado o exemplo do regime de dominação de nossas vizinhas Guiana (domínio inglês), Guiana Francesa e Suriname (domínio holandês) – o que nós, sudestinos, também esquecemos que são países fronteiriços no distante norte do país.

Assim, fiquemos atentos aos acontecimentos na Amazônia, não por acharmos bonitinho nos preocuparmos com a imensa floresta e com os bichinhos. Temos que nos conscientizar que não é apenas, como dizem, um prêmio dado por Deus aos brasileiros para nos vangloriarmos. É, sim, parte deste país múltiplo que, em algumas regiões possui cidades altamente desenvolvidas como São Paulo e Curitiba, mas que numa distância tão gigantesca (que quase nos faz esquecer de sua existência) possui regiões cheias de terra que devem ser protegidas com o mesmo zêlo que temos pelo nosso asfalto.

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