A precipitação é meio caminho para a injustiça

Esse triste caso da menina Isabella e a comoção na sociedade me faz lembrar um famoso caso que muitos de nós estudamos na época da faculdade: o caso da Escola Base.

Somos tão dependentes da informação veiculada pela mídia, que lemos, vemos, escutamos e navegamos como se fosse o retrato da verdade. CUIDADO. Podem não ser. E as pessoas esquecem disso. Existem detalhes a respeito do assassinato que não foram divulgados pelas autoridades. As informações que temos levam a crer que o pai e a madrasta fizeram mal à menininha, mas nada foi PROVADO.

Para aqueles que não lembram, o caso da Escola Base foi de grande repercussão há aproximadamente 15 anos. Seis funcionários (incluindo diretores) foram acusados de abusar sexualmente dos alunos da escola. O primeiro a divulgar a notícia, baseado nas informações do delegado que recebeu a denúncia, foi o repórter da Rede Globo de Televisão, Valmir Salaro.

Foi por causa dele que lembrei. Ontem assisti um trecho do Fantástico em que ele aparecia discutindo o caso Isabella. Ele insistia que não devíamos tirar conclusões precipitadas a respeito do pai e da madrasta pois, antes que seja provado o contrário, são inocentes. Há indícios, mas não foram apresentadas provas. Ele insistia nisso, tenho certeza que devido à lição aprendida com as conseqüências de sua divulgação das denúncias da Escola Base em 1994.

A escola foi depredada, empastelada. Os donos foram perseguidos, acusados pela população. Tudo isso devido à cobertura da mídia. A escola fechou e os donos faliram. Nunca nada ficou provado contra eles. Já correram diversas ações indenizatórias contra empresas da mídia e outras ainda correm.

Assim, por mais “certeza” que as informações podem nos dar, lembrem que a mídia é uma mera divulgadora de notícias (exceto, obviamente, no caso do Jornalismo Investigativo). Eles apenas reproduzem declarações, escutam diversas pessoas, mas não possuem provas legais. Temos que aguardar a conclusão das investigações do Ministério Público, do Departamento de Homicídios e os laudos do Instituto Médico Legal.

A verdade a respeito do Caso Isabella pode estar longe de aparecer. Tenhamos paciência para não cometer injustiças. Não tenhamos pressa em culpar alguém para purgar nossa raiva, nossa estupefação. Se condenarmos previamente o casal, se fizermos algum mal a eles sem que nada esteja provado, seremos tão criminosos quanto o covarde que arrancou a vida daquela menininha.

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3 comentários em “A precipitação é meio caminho para a injustiça

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  1. Oi, Hugo, é até difícil fazer algum comentário…de tão triste que é esta história…infelizmente a mídia tira proveito destas tragédias. Abraço.

  2. Olá Hugo,
    Acredito que todos nós estamos muito tristes com essa situação toda e acredito que as provas irão aparecer. Agora, seja quem for, e como fez, nunca irá trazer a bela Isabella devolta…
    O exemplo do caso da Escola Base veio a calhar, e tem tudo haver com o caso atual.

  3. Nossa, outro dia conversei com a minha mãe exatamente sobre isso. Espero que descubram logo o que aconteceu para que ninguem seja julgado injustamente.

    Bjooos

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