O g(v)erme da violência nasce de onde?

Blogueiro Convidado: Denis Vinicius Mello
Contato: ddtaxe@gmail.com

Nesse final de semana me veio à tona uma questão que afeta milhares, na verdade milhões de pessoas: a violência. Especificamente o caso que ocorreu no último dia 14/02, chamado de NIU Massacre (Northern Illinois University).

O caso envolveu a entrada de um homem, o assassino Steven Kazmierczak, nas dependências da Universidade e em seguida em uma classe onde, bem armado, começou a disparar contra os estudantes. Esse tipo de acontecimento, massacres ou assassinatos em massa (como preferirem), tornou-se habitual na vida dos americanos e de vez em quando recebemos esse tipo de notícia. Embora acabe por parecer normal, eu não consigo aceitar esse tipo de situação. Não consigo aceitar com normalidade, embora nossa sociedade tenha que viver com a cabeça baixa aceitando a violência em suas diversas formas.

Eu conversava com minha namorada nesse final de semana e ela me perguntou sobre o caso. Eu não tinha visto muito a respeito, mas depois o fiz. Ela me disse algo que me intrigou: “…deve haver um motivo para esses acontecimentos. Isso não é normal. Por que vemos isso com os americanos?” Seu pensamento me fez refletir, e sabe de uma coisa? Acho que há uma razão nisso. Embora eu não acredite que haja um motivo para haver cenas de violência como essa de tempos em tempos, eu tenho que concordar que há algo errado.

De fato há muita violência quando falamos de Brasil, que ocorre em nosso cotidiano, mas me lembro de um caso parecido aqui e já faz tempo: o caso do Shopping Morumbi, no qual um estudante, durante a sessão, iniciou o disparo contra o público que assistia ao filme. Se somos tão influenciados pela mídia americana em seus costumes, hábitos e tudo mais, assim como outras partes do mundo, qual a razão disso acontecer tanto lá? Existe um padrão? Um motivo? É um efeito colateral de uma sociedade frágil? Ainda não cheguei a uma conclusão. Ao procurar por informações na mídia internacional, pelo menos até agora eu apenas encontrei detalhes do massacre, as “lições aprendidas”, a descrição do horror, questões de segurança que precisam ser tomadas, a sua ocorrência no Valentine’s Day… Ainda nada que tente explicar a mente do assassino, seus motivos ou o que a sociedade perde com isso. É mais um caso para o FBI.

Serei vago na minha conclusão. Vou esperar por mais considerações sobre o caso, mas parece-me que é um sintoma de uma sociedade doente, arrogante e frágil. Não tão diferente da nossa: queimamos índios, mendigos. Também matamos ou humilhamos calouros no trote universitário. Ou pior, matam-se crianças arrastando pelas ruas, com ela presa pelo cinto de segurança…

Sintomas de uma sociedade, de um mundo doente.

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Um comentário sobre “O g(v)erme da violência nasce de onde?

  1. Querido amigo Denis, nem se incomode em dizer que suas conclusões são vagas. As conclusões para o caso do g(v)erme da violência são extremamente complexas. Poderíamos especular inúmeras justificativas e explicativas, mas apenas estaríamos a esbarrar em conclusões. A violência viajou através dos tempos e nos alcançou da forma mais brutal possível – ela é social, racial, emocional e, obviamente, comportamental. Nasce desta sociedade opressora, que concentra-se em amedrontar o cidadão. Esclarece, em alguns sentidos, mas nos deixa temerários. Eles querem mostrar a ‘realidade’, mas estão vendendo notícias sensacionalistas que impressionam. Chegamos assim a esbarrar um pouquinho em uma das possíveis justificativas para o que acontece nos EUA. Existe país mais neurótico? Existe país que pense mais que alguém os atacará a qualquer momento? Existe um país que permita tanto o porte de armas quanto os EUA? Veja o excelente documentário “Tiros em Columbine”. Ele traz inúmeras discussões EXATAMENTE a este respeito. Veja o filme, pois além de entreter (com o polêmico e discutível Michael Moore), nos faz pensar. Para você ver, olhe o quanto já escrevi, e eu não disse nada. A questão que você levantou é tão importante, que necessitamos de uma tese para discutí-la. Muito obrigado pela contribuição.
    Grande abraço,
    Hugo

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