Catseries – o nascimento do Quarteto Fantástico

Quando perdemos nossa gatinha, foi como se uma pessoa da família tivesse morrido. Ela ficou conosco por oito anos e, mesmo que tivessem sido vinte, pareceriam muito pouco. Chorei muito no ombro de amigos, alguns sem entender por que um marmanjo de quase trinta anos estava tão triste por causa de um bichinho que sabemos que não durará tanto tempo quanto nós.

Mas é incrível a afeição que eles fazem brotar em nós. Depois da partida de Jodie, minha mãe tinha dito que não queria mais nenhum gato na casa. A companhia era muito gostosa, mas no final realmente todo mundo sofreu. Meu pai dizia para eu ter paciência com o sentimento de minha mãe, aguardar a ferida cicatrizar, que na hora certa poderíamos “seduzi-la”. E não demorou muito.

Certo dia, meus pais viajavam quando a veterinária ligou. Queria que fôssemos até lá. Eu questionei a razão e ela disse que tinha dois gatinhos que queria que meus pais dessem uma olhada. Mesmo com a ausência de meus pais, a veterinária insistiu que os gatos eram o nosso perfil (??? Como assim, nosso perfil?). Mas não tinha jeito, eles estavam longe e eu não poderia pegar os gatos e trazer para casa sem mais nem menos. Mas não agüentei. Tive que ir até lá, nem que fosse para matar a minha curiosidade.

Quando cheguei ao Pet Shop, fui levado diretamente para o “quarto” dos gatos. Achei que ia encontrar os dois bichaninhos escondidos num canto, amedrontados. A porta se abriu, e era um verdadeiro “mar de gatos”. Definitivamente, havia mais de trinta gatos espalhados pelo chão. Todos muito bem cuidados, brincando uns com os outros. Tentei adivinhar quais eram os gatinhos, e previamente me afeiçoava por um ou outro. Naquele ponto, tanto fazia qual gato ia levar. Mas a veterinária fez questão de apontar os exatos dois com os quais ela queria nos presentear: eram dois gatinhos branquinhos, minúsculos. Cabiam os dois juntos numa única palma de minha mão. A condição era levar os dois. Eles eram da mesma ninhada e haviam sido abandonados. Desde que nasceram ficaram juntos e juntos permaneceram até aquele momento. Ela não achava justo separá-los. Confesso que achei eles um pouco feinhos, mas fiquei comovido com as intenções da moça. Ao mesmo tempo, eu olhava outros gatos, brincava um pouco e matava um pouco da saudade de ter um bichano para “perturbar” (enfim, filhotes adoram ser “perturbados”). Tinha uma gatinha preta que achei linda e mais outros que gostei.

Voltei para casa decidido a ligar para meus pais e contar a história. Minha mãe não foi muito animadora no telefone, então logo tentei me desiludir. Tentei jogar um charme, elogiar os gatos como se fossem tesouros, mas já colocava em minha mente que deveria esquecer. Enfim, fazia apenas dois meses que a Jodie havia morrido.

No dia seguinte, toca o telefone em casa e minha mãe está do outro lado:

– Hugo, estou chegando em casa. Seu pai quis ir direto para o Pet Shop. Nem quis passar em casa.

Pensei que minha mãe ficaria em casa, mas apenas deixou as malas e foi correndo para a Veterinária. Algum tempo depois, ela liga para perguntar se eu também queria a gatinha preta, pois estavam dispostos a adotá-la. Claro que aceitei.

Para quem havia se acostumado a ter uma única gata em casa, agora haveriam três. Seria uma revolução. Quando meus pais chegaram, vieram aquelas três pecinhas peludas e mais sacos e sacos de comida de gato e areia sanitária. A festa ia começar.

Achei que ia dar um trabalhão. Mas acho que não estavam satisfeitos. Cerca de três semanas depois, cheguei em casa e havia uma nova surpresa. Um outro gato, um pouco mais velho que os três pequeninos que havíamos adotado, encontrava-se na sala, assustado e arisco, com os olhos quase fechados por causa de alguma infecção. Um gato lindo, rajado.

Isso tudo aconteceu no ano de 2005. Eles estão conosco e hoje estão bem grandinhos. São o nosso Quarteto Fantástico. Nesta “Catseries”, escreverei um pouco a respeito de cada um deles. Assim, aqueles que não tiveram a oportunidade conhecerão um pouco mais de perto esses meus “irmãos” de pêlos.

Em 2005:

Em 2007:
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4 comentários sobre “Catseries – o nascimento do Quarteto Fantástico

  1. hooo meu deus que coisinhas mais fofas!!! que bom que nenhuma dor é para sempre, agora só fica a saudade boa. Que vontade de apertar esses gatos!!!

    bjoooo

  2. Eu lembro, eu lembro!! Fui uma das visitas a presenciar o “berçário” de gatos! Não vejo a hora de ler sobre o Severino!
    Abraços

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