Nova Fórmula para o Campeonato Paulista

23/04/2011

Desde o término da primeira fase do Campeonato Paulista, tenho visto diversas declarações reclamando do método de disputa. As críticas se concentram principalmente em três coisas:

1)     Muitas rodadas – 19 jogos + Quarta de final + Semifinal + 02 jogos de final = 23 jogos

2)     Apenas um jogo na etapa eliminatória – caso haja erro de arbitragem ou não seja um “bom dia” para o time, as dezenove rodadas anteriores vão por água abaixo, sem chance de recuperação. Isso teoricamente daria vantagem aos times “franco-atiradores”

3)     Sem vantagem de empate – a única vantagem para aqueles que foram melhor classificados é a escolha do mando de campo. Se o jogo terminar empatado, vai para os pênaltis.

Assim, venho propôr uma nova fórmula para este tradicional campeonato, ligeiramente inspirada no Campeonato Carioca, com algumas adaptações.

 

PRIMEIRA FASE – FASE DE GRUPOS

  • Seriam formados quatro grupos (A, B, C e D), cada um composto por cinco times.
    • a composição destes grupos, para o ano que vem, seria sorteada conforme a classificação de pontos corridos deste ano de 2011
      • São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos (1º, 2º, 3º e 4º nos pontos corridos deste ano, respectivamente) seriam sorteados para cada um dos grupos;
      • Ponte Preta, Oeste, Mirassol e Portuguesa (5º, 6º, 7º e 8º, respectivamente) também seriam sorteados para grupos separados;
      • São Caetano, Paulista, Mogi Mirim e Americana (9º, 10º, 11º e 12º, respectivamente) também seriam sorteados para grupos separados;
      • Botafogo-SP, Linense, Bragantino e Ituano (13º, 14º, 15º e 16º, respectivamente) também seriam sorteados para grupos separados;
      • os times que subirem da Série B do Campeonato Paulista também seriam sorteados para se tornarem os quintos integrantes de cada um dos grupos.
    • para os outros anos, deveria ser discutida a forma de sorteio para a definição dos grupos
  • Assim, como dito anteriormente, teríamos quatro grupos compostos por cinco times.
  • Dentro destes grupos, os times jogariam entre si, jogos de ida e volta
  • Quatro jogos de ida, quatro jogos de volta, totalizando oito rodadas
  • Os dois times melhor classificados de cada grupo passariam para a próxima fase de quartas de final
  • O pior time de cada grupo cairia para a Série B

 

SEGUNDA FASE – QUARTAS DE FINAL

Recapitulando, até o momento teríamos oito rodadas, menos da metade do que há atualmente. Com a definição dos oito times que passarão para a segunda fase, seria feito um sorteio, no estilo da Liga dos Campeões.

Os times que ficarem em primeiro lugar em cada grupo seriam considerados “cabeças-de-chave”. O sorteio definiria quais “segundos colocados” seriam designados para jogar contra um “primeiro colocado”. Daí caberia a discussão se seria autorizado haver um confronto de quartas de final igual ao da primeira fase (pois há a possibilidade do segundo colocado de um grupo ser sorteado exatamente para jogar contra a equipe que foi primeiro no mesmo grupo).

Também seriam sorteadas as chaves, designando contra quem os respectivos vencedores de cada partida jogariam nas próximas fases.

As normas seguiriam os seguintes padrões:

  • Dois jogos, ida e volta, sendo que o último seria na casa do cabeça-de-chave
  • Gols fora de casa seriam critério de desempate
  • No caso de haver empate da mesma forma, iria para os pênaltis
  • Não haveria vantagem de empate devido à classificação

Com estes procedimentos, teríamos duas rodadas. Somadas às oito da fase anterior, agora totalizamos dez.

 

TERCEIRA FASE – SEMIFINAIS

Com os vencedores definidos e o chaveamento previamente acertado, logo se teria as duas partidas de semifinal.

Eles também competiriam em jogos de ida e volta, com sorteio de ordem de jogos. Poderia ser discutido se a pontuação seria cumulativa com as fases anteriores, mas proponho que isso não ocorra, pois perde-se a referência de competitividade. Os critérios de desempate permaneceriam exatamente os mesmos.

Apenas recapitulando, tínhamos dez rodadas e agora, com a soma das duas desta fase, temos doze rodadas.

 

QUARTA FASE – FINAIS

Com os finalistas definidos, logo se teria também duas partidas finais. A definição dos jogos de ida e volta seriam feitos por sorteio. Os critérios de desempate permaneceriam exatamente os mesmos.

Finalizando, teríamos mais dois jogos que, somados às doze rodadas anteriores, dariam quatorze rodadas.

 

CONCLUSÃO

No início deste texto, disse que havia três críticas constantes à atual fórmula de disputa do Campeonato Paulista. Com a proposta que descrevi acima, vejamos como ficaria:

1)     Muitas rodadas – diminuiria de 23 rodadas para 14. Com isso, teríamos o equivalente a até dois meses a menos de competição, facilitando a participação em outros torneios e até, quem sabe, aumentando o tempo de preparação dos atletas no início do ano.

2)     Apenas um jogo na etapa eliminatória – proponho dois jogos, os quais não pesam na composição do número de rodadas e aumentaria a competitividade.

3)     Sem vantagem de empate – inseriríamos os critérios da Copa do Brasil, os quais já foram absorvidos pelos times.

Espero que alguém leia esta proposta, a qual simplesmente utiliza o bom senso de um apreciador do futebol. Tenho certeza que pessoas de maior influência e capacidade que eu já tiveram ideias melhores ou similares, o que importa é que o atual regulamento deve mudar.


Dunga, valeu!

03/07/2010

Vai começar tudo de novo.

O Brasil perdeu e foi desclassificado da Copa do Mundo da África do Sul. E a caça às bruxas já começou. Assistindo ao “Central da Copa”, da Rede Globo, mais de 90% do tempo foi dedicado a criticar a seleção.

Será que não conseguimos ser bons perdedores?

Será que sempre que perdermos é porque temos culpa?

Será que não é possível reconhecer que a outra seleção foi melhor, que nos encurralou, que conseguiu desestabilizar-nos emocionalmente? Tudo isso faz parte do jogo de futebol. Há uns quinze anos, era isso o que víamos nas partidas que jogávamos contra a Argentina: era um bando de “cai-cai” e nossos jogadores ficavam super nervosos, o que afetava o rendimento e fazia nossos hermanos deitarem e rolarem. Ou vocês acham que se fizéssemos a sonhada final com a Argentina, comandada pelo Maradona (que era o maior “cai-cai”), isso não aconteceria?

Já ressuscitaram também a discussão a respeito de Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho.

Criticam o Felipe Melo, a falta de opção no banco e, nas entrelinhas, criticam a postura do Dunga.

Discordo veementemente.

A postura do Dunga foi adequada para fazer com que o time não perdesse o foco. Todo mundo falou da Família Scolari em 2002. Podemos dizer que hoje há uma Família Dunga. Os jogadores realmente gostam dele, de sua liderança e de seu comprometimento (sim, é uma palavra importante, apesar de muitos terem tentado diminuí-la e ridicularizá-la). O goleiro Júlio César, num discurso emocionado, disse ontem à noite que eles queriam ganhar o hexa para o Dunga. Por que ele falaria isso se não fosse de coração? O Dunga está de saída, não precisaria mais ser agradado.

É simples. O grupo ficou fechado, e isso exatamente devido às atitudes do Dunga. Muitas vezes estas atitudes incomodam a imprensa, que não deve perceber, mas vive um paradoxo: quer cobrir a seleção e ter acesso aos atletas, mesmo que o comandante responsável pela equipe considere que isso prejudique o desempenho e concentração deles. Ao invés de apoiar a decisão do técnico, criticam sua atitude, e insistem na necessidade do acesso pois “o público brasileiro precisa ter notícias, tem este direito”. No fundo, não se questionam muito se sua presença causa algum problema. Porém, se causar, não tem problema, pois darão paulada na cabeça do técnico de qualquer jeito. Se der errado, tudo será culpa dele. Se der certo, a imprensa ajudou a fazer a tal da “corrente pra frente”. Ou seja, a imprensa não quer questionar se seu papel afeta a seleção. Quer, na verdade, gerar notícias. Ponto final. Se ganhar ou se perder, no fundo, tudo será notícia. Quem não escutou nos programas esportivos: “A tragédia anunciada aconteceu. Vimos o filme que o trailer mostrou que ocorreria.”

O Galvão Bueno disse que é “só um jogo”. E isso é o que devemos ter em mente. É só um jogo. São trinta e dois times e somente UM vence. Não podemos reconhecer que não fomos os melhores? Simplesmente, não fomos os melhores. Outros times de calibre saíram da Copa, de forma às vezes vexatória, e outros ainda sairão. Só vai sobrar UM.

Não culpem o Dunga. Vejam o que ele fez. Ele falou algo na coletiva que realmente é importante: durante o comando dele foi resgatado o prazer e a responsabilidade de servir a Seleção Brasileira, algo que estava perdido, em especial na última seleção que esteve na Copa da Alemanha, em 2006, e que deu muito acesso à imprensa. Ah tá, mas a culpa da derrota foi do Roberto Carlos, que estava ajustando a meia. Brincadeira, né!

Tenhamos a humildade de reconhecer nossas fraquezas e que fomos derrotados pela Holanda, outro time de tradição, que está há dois anos invicto, tomou pouquíssimos gols neste período e que soube aproveitar melhor nossas falhas quando estávamos pior.

Dunga deve sair de cabeça erguida. Sua cabeça está “inchada”, como se diz no esporte, mas faz parte. Reconheçam o que o cara fez. Ele não estava aí para participar de concurso de popularidade, nem para ser o queridinho da imprensa. Ele estava lá para fazer o trabalho da forma que ele considera correta. Não cacem o bruxo Dunga. Não sejam injustos.

Por mim, Dunga, valeu!!!!


“Momento”, o escambau. Priorize a equipe

13/05/2010

Há uma polêmica imensa a respeito da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2010. O que mais escutei na imprensa foi “O que importa não é momento? Então. No momento, Neymar e Ganso são os melhores jogadores do Brasil”.

Discordo veementemente.

Dunga priorizou chamar os jogadores que estiveram com ele nos últimos três anos e meio. Tomou a decisão correta. Quem já participou de esportes coletivos sabe que “momento” e individualidade são importante e, ainda mais, entrosamento. Ganso e Neymar têm as duas primeiras qualidades? Claro. Possuem a terceira (entrosamento) com o resto do grupo? Ainda não. Mas poderiam adquirir.

Porém, o maior problema é outro. Dunga se preocupou em manter a UNIDADE de sua equipe. Manter o controle e comando do time. E ele está corretíssimo. Se deixasse de levar integrantes que já haviam criado vínculo com os outros jogadores, correria o risco de perder o controle emocional do time. Poderiam surgir discórdias, incômodos e, consequentemente, a má vontade bateria às portas da seleção. Vocês poderiam dizer: “Mas eles são profissionais!”. Não. Eles são humanos e esse tipo de reação seria inevitável.

Volto a dizer: quem já participou de esportes coletivos sabe que aqueles três fatores são importantes, mas são completamente dependentes do grupo, da empatia, do bem estar entre todos os jogadores. Muitos poderão falar: “Ah, mas já houveram times onde os jogadores não se davam bem e foram campeões. Lembra do Corinthians de 99?”. Ok. Mas esta é uma exceção. Na maioria das vezes, é o clima bom entre todos que permite que o bom futebol aflore, que as individualidades se destaquem e que os troféus sejam erguidos. Agora digo eu: vide a seleção do Brasil de 2002, cuja alcunha era Família Scolari.

Acredito que faremos um excelente papel na Copa. Talvez não cheguemos ao título, mas confio que estaremos, no mínimo, entre os quatro finalistas. São muitas seleções de qualidade. Sempre digo que a única seleção de primeira linha que não está na Copa é a Suécia. De resto, todas estão lá. Será muito competitivo. Dentre todas, se eu tiver que arriscar um palpite, excluindo a óbvia predileção pelo Brasil, para mim a campeã será a Inglaterra.

Por fim, Dunga está fazendo um excelente trabalho. Já ganhou a Copa América, a Copa das Confederações e classificou o Brasil para a Copa do Mundo três rodadas antecipado (coisa que NUNCA ocorreu). Temos que confiar no seu bom julgamento e, em especial, no que ele criou entre os jogadores: a gana de lutar por sua seleção.


Agora falem de Ronaldo

19/04/2009

Quando disseram que o Corinthians tinha contratado o jogador Ronaldo, muitas críticas e gozações ocorreram.

Em especial, os torcedores do São Paulo riam e menosprezavam, dizendo que estávamos contratando um “morto”, “jogador em fim de carreira”.

Sem dúvida, Ronaldo estava muito gordo. Hoje, ainda está gordo, mas…

Nada como muito treino e dedicação.

Ronaldo simplesmente acabou com o São Paulo neste que foi o segundo jogo da semifinal do Campeonato Paulista.

O time do São Paulo deixou mais de metade de seu grupo titular descansando quando durante a semana foram para a Colômbia jogar partida pela Taça Libertadores da América. Isso mostra o valor que davam ao Paulistão (que o cartola-anão-vereador doutor Marco Aurélio da Cunha chamou de “Paulistinha”, talvez com o intuito de menosprezar a conquista que algum outro time diferente do São Paulo porventura viesse a ganhar).

Da mesma forma, o São Paulo não conseguiu segurar o Corinthians. Mano Menezes continuou o seu esquema extremamente eficiente na defesa, e o time alvinegro já mantém vinte e quatro jogos invicto. A taça dos invictos já é do Corinthians, pois estava com o São Paulo pela sequência de vinte e três jogos sem perder. Falta o título.

Agora há o Santos para enfrentar. Um time que estava muito mal durante o campeonato, mas que conseguiu dar a volta por cima depois da chegada de Wagner Mancini. O time da Vila se tornou um escrete fortíssimo, o que promete grandes batalhas na primeira partida (que será em Santos) e a segunda (que, ainda bem, será no Pacaembu). Antecipo os locais de partida confiando nas promessas passadas dos dirigentes, mas há a possibilidade dos dois jogos serem no interior.

Voltando a Ronaldo (“o gordo”), vamos ser corretos. Jogou bem toda a partida, correndo, procurando espaço, infernizando a zaga sãopaulina. Além do passe de quartenta metros que resultou no primeiro gol, fez o segundo. Detalhe: neste segundo gol, Ronaldo (novamente, “o gordo”) ganhou na corrida do zagueiro Renato Silva, que deve ter uns dez anos a menos, tem a perna mais comprida e é bem magrinho.

Agora que eu queria escutar a opiniões daqueles que tanto o picharam,,, ainda mais depois do São Paulo perder duas seguidas do Corinthians, com direito a “Olé!” da torcida desde os 35 minutos do segundo tempo.


Olimpífias brasileiras. Mas ainda queremos ser sede!?

24/08/2008

A Olimpíada terminou. Pequim se consagrou como berço dos jogos monumentais, das construções gigantescas, de inúmeros recordes quebrados e de Michael Phelps. Porém, não estou aqui para falar das oito medalhas de ouro do nadador americano, ou de Usain Bolt, Leonel Messi ou Kolb Bryant. Muito menos estou aqui para criticar a quantidade de atletas nacionalizados que competiram por outros países. Apesar de achar uma vergonha, deixarei para outra oportunidade.

 

A vergonha não é essa.

 

A cada Olimpíada que passa, fico aborrecido com nossos resultados. Claro que comemorei todas as medalhas e valorizo aqueles atletas. Porém, não devíamos nos questionar? Como um país que pretende sediar os Jogos Olímpicos tem um desempenho tão pífio? Já esteve pior, disso nós sabemos. Nos jogos de Sidney, em 2000, não tivemos sequer um ourozinho.

 

O governo diz que investe no esporte. Investe onde? Vocês acham satisfatório nosso desempenho? Há quantos anos ouvimos a mesma balela de que o país está se desenvolvendo, que está tratando o esporte de forma mais profissional? Este trabalho deve iniciar quando as crianças são pequenas, com a disponibilização de centros esportivos gratuitos que estejam abertos a elas. Deve haver uma peneira, como é feito no futebol? Sim, porém após um determinado tempo de exposição destas crianças às diversas opções de esporte.

 

Treinei e competi no Centro Olímpico do Ibirapuera. Vá até lá e veja a condição da pista de atletismo, do material esportivo, das quadras. Verifiquem a estrutura e vejam se é possível levar a sério. Lembro uma ocasião em que corríamos na pista quando um dos vários cachorros que circundam a pista saiu correndo atrás de um colega meu. Tudo bem, talvez ele tenha corrido um pouco mais rápido nesta hora, mas o cachorro depois não aceitou ser contratado como assistente de nosso treinador.

 

Um país que quer ter um projeto olímpico precisa de investimento maciço. Este investimento significa dinheiro, estrutura, pessoal e intercâmbio. Veja o César Cielo. Ótimo desempenho, com duas medalhas. É vinculado ao E.C. Pinheiros, mas treina nos Estados Unidos. Quantos outros atletas olímpicos não treinam em nosso país? O que há lá fora que não encontram aqui? Exatamente os quatro itens mencionados acima.

 

Citemos dois exemplos positivos, para vermos como é possível desenvolver. O voleibol, por meio de uma excelente organização, investimentos e seriedade se tornou o esporte mais importante do país. Apesar disso, grande parte de nossos jogadores competem no exterior. Deveria haver estímulo para um maior desenvolvimento das ligas nacionais. A Liga de Volei é boa, mas poderia ser muito melhor. E isso deveria haver em todos os outros esportes. Outro caso é a Ginástica Artística, que não tinha resultados expressivos e, após investimento e a importação de técnicos experientes, cresceu muito. Nossos técnicos nacionais de ginástica são bons, porém Oleg e Irina trouxeram a experiência do exterior para estruturar tudo.

 

Agora me fale por que isso não é feito nos outros esportes. O que aconteceu com o basquete? Sei que não é caso de investimentos, mas faz parte dos problemas deste suposto “Projeto Olímpico”. Por que não fazer com o tênis de mesa, com o ciclismo, com o Tae Kwon Do, com o pentatlo moderno, com o tiro, o halterofilismo, a esgrima e etc. Todas estas medalhas valem tanto quanto uma suposta medalha no futebol masculino, coisa que toda vez é o centro das atenções. Não seria possível aplicar mais recursos no Judô, modalidade que já nos deu tantas conquistas? Será que não era possível investir até mesmo num esporte de elite como as modalidades da Vela?

 

Sou completamente contrário à Olimpíada ser no Brasil. Sabemos muito bem que a intenção de nossos governantes é fazer o caminho inverso das coisas: conseguir ser sede para chamar investimentos e consertar aquilo que eles não fazem. A China investe há anos no esporte e apenas agora tornou-se sede. Dos poucos concorrentes à Olimpíada de 2016, fico com Tóquio! Apesar de já ter sido sede nos anos 60, prefiro que seja por lá. Devemos resolver nossos problemas por aqui para depois concentrarmos jogos destas proporções em nosso solo. E não venham dizer que o Pan 2007 foi ótimo! Vocês viram o Michael Phelps aqui? Quantos atletas de ponta estiveram por aqui? Os americanos, que são os “bichos-papões”, não vieram ao Pan, coisa que dificilmente fazem mesmo.

 

Ainda estamos muito abaixo daquilo que poderíamos ser. Não precisamos ter a maior quantidade de investimentos do mundo, mas precisamos aumentá-los e utilizá-los com sabedoria. A seriedade deve existir em todos os níveis, em todos os lugares, em todas as pessoas e em TODAS AS MODALIDADES. Enquanto não equilibrarem esses investimentos e apoio, não seremos expressivos. Quando isso começar a ser feito, poderemos começar a protelar ser sede cerca de quinze anos depois, o que corresponde a uma geração de crescimento.

 


Ascensão e qued(br)a de Felipe Massa no GP Hungria 2008

03/08/2008

Num final de semana dominado pela McLaren Mercedes, Felipe Massa surpreendeu ao ultrapassar os dois pilotos da escuderia inglesa na primeira curva da prova. Uma manobra ousada que fez com que o brasileiro pulasse para a primeira posição e dominasse a prova inteira. A foto abaixo mostra o exato momento em que Massa travava seus freios para conseguir ultrapassar Hamilton, que havia conquistado a pole position no dia anterior.

Enquanto ainda fazíamos as contas da vantagem que Massa teria para Louis Hamilton e Kimmi Raikkonen, estoura o motor da Ferrari. Faltavam apenas três voltas para finalizar a corrida, mas o engenho italiano não agüentou o calor magiar.

Felipe mostrou sua capacidade e acredito que as críticas da imprensa diminuirão. Porém, seu campeonato ficou muito prejudicado, pois agora está oito pontos atrás de Hamilton. O vencedor da prova foi o finlandês Heikki Kovalainen (McLaren), seguido por Timo Glock (Toyota) e Raikkonen. O estouro do pneu de Hamilton na metade da prova acabou por não dar-lhe prejuízo tão grande.

Agora apenas nos resta torcer para que Felipe se recupere na próxima prova, o GP da Europa (que este ano será em Valência, Espanha). Enfim, tá na hora dele ter um pouco mais de sorte e o azar dar uma passadinha no cockpit de seus adversários.


Dante se tornou um grande jogador

13/07/2008

Quando o ponteiro goiano Dante começou a jogar na seleção brasileira de volei há quase dez anos, eu achei ele péssimo. Era um cara grandão, desengonçado e irregular. Não gostava que ele jogasse na seleção, pois sempre que entrava no time eu tinha a impressão de que dava o famoso “migué”, ou seja, fingia que jogava.

Essa antipatia durou por muito tempo. Reconheço que só passou ESTE ano, apesar de todos os títulos que conseguiu antes disto. Tenho que reconhecer que atualmente ele é um dos destaques da seleção de Bernardinho. E ser destaque nesta seleção não é coisa fácil, pois trata-se da melhor equipe dentre todos esportes coletivos de todos os tempos, como muitos gostam de dizer.

Quem acompanhou os dois jogos da seleção brasileira contra a França neste final de semana, pôde ver o quanto Dante está jogando bem. Que o diga o jogador Samica, que desde de sábado teve medo das bolas atacadas pelo brasileiro. No primeiro jogo, Dante fez um ataque de muita força, atingindo antes da linha dos três metros, bem à frente do francês. As imagens da Rede Globo mostraram sua expressão de susto e admiração, com um os olhos arregalados e um suspiro como comentário para os companheiros. Depois disso, reparei que em todas as bolas que o Dante atacava e iam em sua direção, ele “virava a bunda”, com medo da pancada.

Mas Dante não ficou apenas nisso. Neste domingo, deu um show de bloqueio. Um bloqueio firme e bem colocado que pegou várias vezes os atacantes medianos da França.

Assim, tenho que dar o meu braço a torcer e dizer que Dante não é mais aquele pirulão desengonçado. Tornou-se, após dez anos de seleção, um grande jogador, regular em boas atuações e pronto para ser bicampeão olímpico.


O Fluminense não merecia perder

03/07/2008

Não importa que o Fluminense não se tornou campeão da América. Nem mesmo que a disputa de penaltis foi ridícula. Foi uma final impressionante.

 

Enquanto esteve atrás no placar na somatória de gols, o tricolor das Laranjeiras comportou-se como um verdadeiro campeão. Correu muito, procurou o gol, demonstrou muita raça. Thiago Neves fez três gols neste último jogo, acredito que um feito inédito.

 

Deste vez, foram noventa mil que se calaram neste novo Maracanaço. Durante toda a peleja, lembrei de Nelson Rodrigues. Imagino a decepção deste torcedor fanático, que estaria pulando pelas arquibancadas, fumando um cigarro atrás do outro, cutucando seu filho que estaria tão nervoso quanto ele. Mas não lembrei dele por causa de sua paixão. Fiquei a imaginar o que escreveria após tal partida.

 

Não acompanhei todos os jogos do Fluminense nesta Taça Libertadores da América. Assisti à vitória gloriosa sobre o tricolor paulista e acompanhei sua batalha contra o Boca Juniors. Foi o melhor time na primeira fase da competição. Mas nem sempre o futebol é justo. E não vou entrar no assunto referente ao árbitro, pois errou para os dois lados.

 

Nelson seria enfático ao falar do heroismo dos jogadores, que reverteram um placar adverso trazido do Equador. Olharia as arquibancadas balançar e anotaria em qualquer lugar as impressões do momento. Esta foi a noite em que estivemos sob “a sombra das chuteiras imortais”, pois é isso que se tornaram. Mesmo o sistema defensivo do time, que no primeiro tempo cometeu diversos erros, mostrou sua garra. Após cometerem erros, conseguiam se safar utilizando um golpe a mais de força muscular.

 

O sentimento de perda e derrota deve ser grande. Os torcedores do tricolor carioca podem até se revoltar. Mas não deveriam. É frustrante, ainda mais após a reversão do placar. Acabem com esta bobagem. Apenas um time pode ganhar. Infelizmente não foi o Flu. Mas louvemos seu esforço, seu batalha, sua perseverança. Gostaria de lembrar que, se a regra não fosse tão estapafurdia, o campeão seriam os brasileiros, por terem feito mais gols na casa do adversário. Mas apenas no jogo final isso não conta.

 

Confesso que nunca fui de torcer para times brasileiros na Libertadores. Essa baboseira do Galvão Bueno dizendo: “Tal time é o Brasil na Libertadores!” eu não compro. Obviamente nunca torci para o São Paulo, nem mesmo para o Palmeiras. E tampouco para o Vasco ou Cruzeiro. Digamos que torci um pouquinho para o Internacional, quando venceu o São Paulo. Mas pelo Fluminense eu sofri. Soquei o que estava por perto, soltava gritos engasgados quando uma bola passava perto do gol (inclusive a bola na trave que o Dodô acertou). Eu ia finalizar o texto dizendo que o Fluminense poderia dizer que hoje sofreu como se fosse o Corinthians. Mas, na verdade, o Corinthians que tome cuidado. Pois se for para mensurar o grau de sofrimento, e o Fluminense continuar assim, o torcedor deles que terá que cantar: “Carioca, fluminense e sofredor. Graças a Deus!”


Timemania?

23/02/2008

Muito inteligente a idéia de colocarem o Pelé vestido com uma blusa azul escura de listras amarelas no anúncio do Timemania. Parece a camisa do Boca Júniors. Enfim, nosso governo demonstra novamente perspicácia, até quando procura estimular o público a ajudar os clubes brasileiros. Ainda bem que não há rivalidade entre Brasil e Argentina no futebol.

Nossa rivalidade, mesmo, é com a Guiana Francesa.

Mais nada a declarar.


Touché, Corinthians!

02/12/2007
Eu sabia que isso estava por acontecer. Antes do Nelsinho entrar no Corinthians, eu já havia dito que esse time ia cair. E disse também que QUERIA que o time caísse. E continuei dizendo isso até o final. Não vou dizer que estou feliz, mas acredito que algumas lições devem ser dadas. Nos últimos anos, com exceção do ano contratado pela MSI, as campanhas do Corinthians foram ridículas. Nós estávamos sempre sofrendo. Corinthiano é sofredor, mas exageraram nos últimos anos. Lembro que no ano de 2003 fiz um texto a respeito do Grêmio. Chamava-se “Obrigado, Grêmio!”, pois a péssima campanha do Timão era ofuscada pela péssima atuação do Grêmio, que acabou caindo para a Segundona logo no ano de seu centenário. Rezou a ironia que, em 2007, fosse num jogo com o próprio Grêmio que o nosso destino no futebol fosse decidido.

Por que eu disse que queria que o Corinthians caísse para a série B? Inúmeros fatores. Tudo tem raiz na administração do sr. Alberto Dualib, que pilhou o Corinthians por anos, algo que está sendo apurado pela atual presidência do sr. Andrés Sanchez. E não coloquem a culpa no Andrés. Ele foi parte da antiga diretoria por certo tempo, mas não tem tanta culpa na situação. O erro principal ocorreu devido à conivência dos conselheiros e, principalmente, de parte da torcida, com a associação junto à MSI. A injeção de fundos de origem duvidosa mascarou as dificuldades que o Corinthians tinha em sua estrutura. Ao mesmo tempo, multiplicaram-se os problemas e os escândalos. As dívidas e as polêmicas surgiram, como as referentes ao caso Nilmar x Lyon e à questão da demissão do técnico Daniel Passarela.

Fomos coniventes, sim. E incluo-me nesta lista. Eu não queria nem saber. Tínhamos vários jogadores de qualidade, que faziam nossos olhos brilhar. Tévez, Roger, Carlos Alberto, dentre outros. Se o nosso time mosqueteiro estava ganhando, por que eu iria pensar nos problemas futuros que, naquele momento, eram apenas meras suposições? Muitos pensavam como eu. Vi várias vezes o ex-vice-presidente de futebol do Corinthians, sr. Antonio Roque Citadini, alertando para os problemas que aconteceriam (e lembro ele dizendo em 2005: “Daqui a dois anos”). Ele era uma voz em meio à multidão, junto ao conselheiro e delegado Tuma, que tinha até dossiês mostrando o caráter duvidoso dos componentes da MSI.

Isso tudo culminou na formação do elenco do corrente ano. Poucos jogadores de qualidade. O goleiro Felipe se destacou, e duvido que ele fique no time. Acabo de ouvir uma declaração sua na Jovem Pan, dizendo que seu contrato vai até 2011, mas que talvez o time tenha que vendê-lo para arrecadar verba, visto que perderá o dinheiro da televisão. Outro jogador que eu gostei muito foi o Finazzi, que por uma bobagem feita por ele ficou fora dos últimos jogos. Betão demonstrou a garra de sempre, mas possui limitações. O amor dele pelo Corinthians é indiscutível. Percebi que nos últimos jogos os jogadores deram o sangue. Mas isso tudo não bastou para compensar uma campanha inteira de fracassos. (À parte: por isso que campeonato de pontos corridos é bom – o melhor time ganha e os piores caem. A sorte fica deixada de lado)

Continuo dizendo que achei justo o rebaixamento. E não venham dizer que a causa disso tenha sido os pênaltis que o juiz fez voltar no jogo entre Goiás e Internacional, no Serra Dourada. Ele cumpriu a regra. Se não há hábito em cumprir a regra quando o goleiro se adianta, azar. Ele cumpriu a regra e está tudo certo. A culpa da queda é exclusiva do Corinthians e de todas as pessoas envolvidas com este time.

O mosqueteiro foi abatido e jogado no fundo do poço. Agora, terá alguns meses para se recuperar e fortalecer as pernas. Se no fundo do poço ele não encontrar força para se impulsionar para cima, terá que utilizar suas garras e escalar as paredes úmidas e lodosas. Torceremos muito para que ele volte e não apenas isso: que conquiste o título da série B! Título que é muito difícil, pois o torneio é tão competitivo quanto a série A.

Lembrem que outros times de tradição já foram rebaixados antes. O caso mais notório foi o Fluminense, que chegou a ir para a terceira divisão. Esse ano acabou em quarto no Brasileirão. O Vitória também foi para a série C, e acaba de conquistar a volta para a série A. Grêmio, Palmeiras, Atlético Mineiro, Curitiba, Sport de Recife, todos passaram por este calvário. A querida Portuguesa acaba de conseguir voltar. As coisas são assim mesmo.

Muita gente vai fazer brincadeira com os corinthianos. Mas lembrem que isso faz parte do esporte. Aqueles que se exaltam de forma violenta não sabem qual é o verdadeiro espírito. E, para ilustrar isso, vou divulgar o novo símbolo do Corinthians, o qual recebi de autor desconhecido (e muito criativo) já há algum tempo, mas que ilustra bem a atual situação.


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