Após quase oito meses, retomo a história deste quarteto fantástico, com o relato a respeito do último integrante do grupo: Thomas Severino.
Vocês devem se questionar de onde foi retirado um nome tão peculiar. E é aí que iniciamos o relato.
Após adotar os três outros integrantes do quarteto, meu pai fez “uma encomenda” à veterinária: se aparecesse algum gato com certas características, era para avisá-lo. Tinha que ser aquele gato conhecido como “musa”, rajado em sua pelagem, marrom e preto. Parece um gato selvagem.
Não demorou muito para recebermos o aviso de que havia um felino com estas características a nosso aguardo. Porém, não tinha o mesmo histórico dos outros. Esse era maior, já com alguns meses de vida.
De acordo com o relato de quem entregou o bichano para a veterinária, foi quando um caminhão parou que ele saiu correndo de debaixo de sua carroceria. Estava sobre sua suspensão, ou qualquer outro aparato que o tenha sustentado de pé durante a viagem. Quando a mulher foi questionar o motorista, este ficou assustado: “Mas eu vim direto da Bahia, sem parar nem um minuto. Somente parei agora.” O gato havia embarcado sob a boleia do caminhão e enfrentado uma viagem longa, com o pó a bater-lhe nos olhos pequeninos e o calor do motor a chamuscar seus pêlos.
Assim, fomos contatados e o gato, já batizado de Severino devido às suas raízes, ganhou um novo nome em homenagem ao “Tom” dos desenhos animados, colega do rato Jerry. O coitado tinha os olhos extremamente irritados e inflamados devido à viagem. Não teve como colocar óculos protetores, nem mesmo arriscar um espaço ao lado do caminhoneiro, pois o risco de ser enxotado seria enorme.
A recuperação foi demorada, à base de muito colírio, algumas unhadas e até uma ou outra mordida. Foi a única vez que mordeu alguém de casa. Segurei suas quatro patas para tentar aplicar o remédio nos olhos, mas o gato selvagem não gosta de ser seguro então reage plenamente. Este, que já entendia estar num novo lar, amparado por nós, lutou contra seu instinto de me morder e, quando voltou os dentes para meus dedos, percebi que titubeou para realizar a ação. Mesmo assim, acabou efetuando o dolorido contra-ataque. Mas foi devidamente perdoado, sem mágoas.

Thomas Severino junto a seu melhor amigo
É um gato mais arisco que os outros três. Possui uma personalidade própria, a qual não lhe permite confraternizar tanto com seus pares. Enquanto os três dormem juntos, enrolados numa única bolota de pêlo, Thomas Severino fica numa cadeira afastada, esparramado a observar os acontecimentos.
Com o tempo, o migrante que sentia-se fora de seu território reconhecera a casa que o acolheu. Hoje busca carinho de seus donos, correndo em sua direção e atirando-se ao chão, mostrando a barriga malhada, como a de um puma. Tem uma tara especial por chinelos, os quais agarra com toda força quando estão próximos a ele.
Como dito no passado, cada integrante do Quarteto Fantástico possui suas habilidades e características únicas. Com este relato acima, termina o perfil dos atuais felinos que habitam a nosso lar.
