Saramago – trecho de seu novo livro

18 Setembro, 2008

Será lançado em breve o novo livro do escritor português José Saramago. Chama-se “A viagem do elefante”, que conta a história do paquiderme Salomão que percorre metade da Europa no século XVI. Abaixo, coloco trecho do livro disponível no site do escritor. Quem quiser ver mais, acesse http://www.josesaramago.org.

“Não há vento, porém a névoa parece mover-se em lentos turbilhões como se o próprio bóreas, em pessoa, a estivesse soprando desde o mais recôndito norte e dos gelos eternos. O que não está bem, confessemo-lo, é que, em situação tão delicada como esta, alguém se tenha posto aqui a puxar o lustro à prosa para sacar alguns reflexos poéticos sem pinta de originalidade. A esta hora os companheiros da caravana já deram com certeza pela falta do ausente, dois deles declararam-se voluntários para voltar atrás e salvar o desditoso náufrago, e isso seria muito de agradecer se não fosse a fama de poltrão que o iria acompanhar para o resto da vida, Imaginem, diria a voz pública, o tipo ali sentado, à espera de que aparecesse alguém a salvá-lo, há gente que não tem vergonha nenhuma. É verdade que tinha estado sentado, mas agora já se levantou e deu corajosamente o primeiro passo, a perna direita adiante, para esconjurar os malefícios do destino e dos seus poderosos aliados, a sorte e o acaso, a perna esquerda de repente duvidosa, e o caso não era para menos, pois o chão deixara de poder ver-se, como se uma nova maré de nevoeiro tivesse começado a subir. Ao terceiro passo já não consegue nem sequer ver as suas próprias mãos estendidas à frente, como para proteger o nariz do choque contra uma porta inesperada. Foi então que uma outra ideia se lhe apresentou, a de que o caminho fizesse curvas para um lado ou para o outro, e que o rumo que tomara, uma linha que não queria apenas ser recta, uma linha que queria também manter-se constante nessa direcção, acabasse por conduzi-lo a páramos onde a perdição do seu ser, tanto da alma como do corpo, estaria assegurada, neste último caso com consequências imediatas. E tudo isto, ó sorte mofina, sem um cão para lhe enxugar as lágrimas quando o grande momento chegasse. Ainda pensou em voltar para trás, pedir abrigo na aldeia até que o banco de nevoeiro se desfizesse por si mesmo, mas, perdido o sentido de orientação, confundidos os pontos cardeais como se estivesse num qualquer espaço exterior de que nada soubesse, não achou melhor resposta que sentar-se outra vez no chão e esperar que o destino, a casualidade, a sorte, qualquer deles ou todos juntos, trouxessem os abnegados voluntários ao minúsculo palmo de terra em que se encontrava, como uma ilha no mar oceano, sem comunicações. Com mais propriedade, uma agulha em palheiro. Ao cabo de três minutos, dormia. Estranho animal é este bicho homem, tão capaz de tremendas insónias por causa de uma insignificância como de dormir à perna solta na véspera da batalha. Assim sucedeu. Ferrou no sono, e é de crer que ainda hoje estaria a dormir se salomão não tivesse soltado, de repente, em qualquer parte do nevoeiro, um barrito atroador cujos ecos deveriam ter chegado às distantes margens do ganges. Aturdido pelo brusco despertar, não conseguiu discernir em que direcção poderia estar o emissor sonoro que decidira salvá-lo de um enregelamento fatal, ou pior ainda, de ser devorado pelos lobos, porque isto é terra de lobos, e um homem sozinho e desarmado não tem salvação ante uma alcateia ou um simples exemplar da espécie. A segunda chamada de salomão foi mais potente ainda que a primeira, começou por uma espécie de gorgolejo surdo nos abismos da garganta, como um rufar de tambores, a que imediatamente se sucedeu o clangor sincopado que forma o grito deste animal. O homem já vai atravessando a bruma como um cavaleiro disparado à carga, de lança em riste, enquanto mentalmente implora, Outra  vez, salomão, por favor, outra  vez. E salomão fez-lhe a vontade, soltou novo barrito, menos forte, como de simples confirmação, porque o náufrago que era já deixara de o ser, já vem chegando, aqui está o carro da intendência da cavalaria, não se lhe podem distinguir os pormenores porque as coisas e as pessoas são como borrões indistintos, outra ideia se nos ocorreu agora, bastante mais incómoda, suponhamos que este nevoeiro é dos que corroem as peles, a da gente, a dos cavalos, a do próprio elefante, apesar de grossa, que não há tigre que lhe meta o dente, os nevoeiros não são todos iguais, um dia se gritará gás, e ai de quem não levar na cabeça uma celada bem ajustada. A um soldado que passa, levando o cavalo pela reata, o náufrago pergunta-lhe se os voluntários já regressaram da missão de salvamento e resgate, e ele respondeu à interpelação com um olhar desconfiado, como se estivesse diante de um provocador, que havê-los já os havia em abundância no século dezasseis, basta consultar os arquivos da inquisição, e responde, secamente, Onde é que você foi buscar essas fantasias, aqui não houve nenhum pedido de voluntários, com um nevoeiro destes a única atitude sensata foi a que tomámos, manter-nos juntos até que ele decidisse por si mesmo levantar-se, aliás, pedir voluntários não é muito do estilo do comandante, em geral limita-se a apontar tu, tu e tu, vocês, em frente, marche, o comandante diz que, heróis, heróis, ou vamos sê-lo todos, ou ninguém. Para tornar mais clara a vontade de acabar a conversa, o soldado içou-se rapidamente para cima do cavalo, disse até logo e desapareceu no nevoeiro. Não ia satisfeito consigo mesmo. Tinha dado explicações que ninguém lhe havia pedido, feito comentários para que não estava autorizado. No entanto, tranquilizava-o o facto de que o homem, embora não parecesse ter o físico adequado, deveria pertencer, outra possibilidade não cabia, pelo menos, ao grupo daqueles que haviam sido contratados para ajudar a empurrar e puxar os carros de bois nos passos difíceis, gente de poucos falares e, em princípio, escassíssima imaginação. Em princípio, diga-se, porque ao homem perdido no nevoeiro imaginação foi o que pareceu não lhe ter faltado, haja vista a ligeireza com que tirou do nada, do não acontecido, os voluntários que deveriam ter ido salvá-lo. Felizmente para a sua credibilidade pública, o elefante é outra coisa. Grande, enorme, barrigudo, com uma voz de estarrecer os tímidos e uma tromba como não a tem nenhum outro animal da criação, o elefante nunca poderia ser produto de uma imaginação, por muito fértil e dada ao risco que fosse. O elefante, simplesmente, ou  existiria, ou não existiria. É portanto hora de ir visitá-lo, hora de lhe agradecer a energia com que usou a salvadora trombeta que deus lhe deu, se este sítio fosse o vale de josafá teriam ressuscitado os mortos, mas sendo apenas o que é, um pedaço bruto de terra portuguesa afogado pela névoa onde alguém (quem) esteve a ponto de morrer de frio e abandono, diremos, para não perder de todo a trabalhosa comparação em que nos metemos, que há ressurreições tão bem administradas que chega a ser possível executá-las antes do passamento do próprio sujeito. Foi como se o elefante tivesse pensado, Aquele pobre diabo vai morrer, vou ressuscitá-lo. E aqui temos o pobre diabo desfazendo-se em agradecimentos, em juras de gratidão para toda a vida, até que o cornaca se decidiu a perguntar, Que foi que o elefante lhe fez para que você lhe esteja tão agradecido, Se não fosse ele, eu teria morrido de frio ou teria sido comido pelos lobos, E como conseguiu ele isso, se não saiu daqui desde que acordou, Não precisou de sair daqui, bastou-lhe soprar na sua trombeta, eu estava perdido no nevoeiro e foi a sua voz que me salvou, Se alguém pode falar das obras e feitos de salomão, sou eu, que para isso sou o seu cornaca, portanto não venha para cá com essa treta de ter ouvido um barrito, Um barrito, não, os barritos que estas orelhas que a terra há-de comer ouviram foram três. O cornaca pensou, Este fulano está doido varrido, variou-se-lhe a cabeça com a febre do nevoeiro, foi o mais certo, tem-se ouvido falar de casos assim, Depois, em voz alta, Para não estarmos aqui a discutir, barrito sim, barrito não, barrito talvez, pergunte você a esses homens que aí vêm se ouviram alguma coisa. Os homens, três vultos cujos difusos contornos pareciam oscilar e tremer a cada passo, davam imediata vontade de perguntar, Onde é que vocês querem ir com semelhante tempo. Sabemos que não era esta a pergunta que o maníaco dos barritos lhes fazia neste momento e sabemos a resposta que lhe estavam a dar. Também não sabemos se algumas destas coisas estão relacionadas umas com as outras, e quais, e como. O certo é que o sol, como uma imensa vassoura luminosa, rompeu de repente o nevoeiro e empurrou-o para longe. A paisagem fez-se visível no que sempre havia sido, pedras, árvores, barrancos, montanhas. Os três homens já não estão aqui. O cornaca abre a boca para falar, mas torna a fechá-la. O maníaco dos barritos começou a perder consistência e volume, a encolher-se, tornou-se meio redondo, transparente como uma bola de sabão, se é que os péssimos sabões que se fabricam neste tempo são capazes de formar aquele maravilhas cristalinas que alguém teve o génio de inventar, e de repente desapareceu da vista. Fez plof e sumiu-se. Há onomatopeias providenciais. Imagine-se que tínhamos de descrever o processo de sumição do sujeito com todos os pormenores. Seriam precisas, pelo menos, dez páginas. Plof.”


A redescoberta de Jorge Amado pelos brasileiros

16 Setembro, 2008

para Jerusa Pires Ferreira

 

A publicação dos livros de Jorge Amado pela Companhia das Letras retoma a oportunidade que temos em apreciar e, para alguns, conhecer a obra deste escritor baiano. Esse foi o meu caso. Há tempos procuro a oportunidade de ler um de seus livros. Tenho em casa alguns dos seus mais famosos – Dona Flor e Gabriela –, mas nunca me senti estimulado o bastante para enfrentá-los. Porém, noutro dia adquiri um de seus livros que mais me atraíam, visto que foi uma das bases para a novela “Porto dos Milagres” (junto a outro livro seu, “A descoberta do Brasil pelos turcos”) que eu tanto apreciara há alguns anos. Trata-se do livro “Mar morto”.

 

Tive uma revelação. A única lembrança que tinha de alguma história de Jorge Amado era “Capitães de Areia”, a qual tive que ler na época do colégio. Naquele período não gostei, e criei certa aversão pelo escritor. Atualmente, principalmente instigado pelas aulas da professora a quem ofereço este texto, voltei a remexer neste universo amadiano. Quando de suas aulas, falou-nos a respeito de “A morte e a morte de Quincas Berro D’Água”, que li e adorei. Assim que terminasse os estudos que realizava naquele tempo, planejava mergulhar nas águas de outro livro dele, sendo o maior concorrente o mencionado “Mar morto” (apesar de que, graças a Jerusa novamente, minha curiosidade por “Tereza Batista cansada de guerra” também era muito grande).

 

O livro inicia com um prefácio em forma de chamamento, o qual já faz o leitor sentir palavra por palavra o intento do escritor e respirar os ares do cais da Bahia de Todos os Santos. Reproduzo abaixo:

 

“Agora eu quero contar as histórias da beira do cais da Bahia. Os velhos marinheiros que remendam velas, os mestres de saveiros, os pretos tatuados, os malandros sabem essas histórias e essas canções. Eu as ouvi nas noites de lua no cais do mercado, nas feiras, nos pequenos portos do Recôncavo, junto aos enormes navios suecos nas pontes de Ilhéus. O povo de Iemanjá tem muito que contar.

Vinde ouvir essas histórias e essas canções. vinde ouvir a história de Guma e de Lívia que é a história da vida e do amor no mar. E se ela não vos parecer bela, a culpa não é dos homens rudes que a narram. É que a ouvistes da boca de um homem da terra, e, dificilmente, um homem da terra entende o coração dos marinheiros. Mesmo quando esse homem ama essas histórias e essas canções e vai às festas de dona Janaína, mesmo assim ele não conhece todos os segredos do mar. Pois o mar é mistério que nem os velhos marinheiros entendem.”

 

Desde o início me questionara a respeito do título “Mar morto”. Conjecturei desenlaces narrativos ou protestos sociais como mote para o nome do livro. Percorri as primeiras linhas querendo entender de onde vinha tal alcunha, mas não consegui descobrir. Na segunda página, não lembrava mais. Estava submerso numa prosa enxuta e dinâmica, moderna ao contar sua história, sem poupar o leitor dos sentimentos, da poesia, das crenças e dos pensamentos. Este primeiro capítulo é repleto de imagens belas, com o vento “a chicotear o rosto de Lívia” e os marinheiros a carregar os corpos dos tombados numa rede de pesca, como numa procissão.

 

Um dos recursos que mais chamaram a atenção é a repetição de termos e frases no intuito de criar rápidos fluxos de consciência e, literalmente, conversar com o leitor sem dirigir-se diretamente a ele. Essas repetições podem causar humor, mas na sua maioria reforçam o caráter trágico dos destinos navegantes, à mercê dos humores de Iemanjá, a mulher de cinco nomes, que por seu capricho pode levá-los ao fundo do mar.

 

A história do mestre de saveiro Guma e sua amada Lívia é contada com todos os revéses da vida praiana, com a morte na espreita e a necessidade de enfrentamento misturada à paixão pelo mar. Neste livro que surgem os versos que depois seriam evidenciados ainda mais na voz e na música de Dorival Caymmi: “É doce morrer no mar”, que cantadas pelo negro Jeremias, acalentavam a dor pela perda de algum dos pescadores. As lendas contadas pelos negros, das histórias dos heróis do cais, perpassam os parágrafos e fazem entender que aquele é um outro mundo à margem, com outros valores, que estão mais próximos da amizade, fidelidade, honra e coragem. A ganância tem sua vez, mas apenas se manifesta quando a necessidade abre-lhe as portas. Outros personagens dão ar da graça, como Rosa Palmeirão, Mestre Manuel, Maria Clara, o velho Francisco, Esmeralda, Rufino e o misterioso Leôncio.

 

Por fim, retomamos a curiosidade do porquê do “Mar morto”, e somos notificados que sua significância é muito maior do que aquilo que imaginávamos. Tudo torna-se mais belo, pois misturam-se os sentimentos e as sensações ao arremate de uma trama que para nós acaba naquele ponto final da folha de papel, mas para os personagens se perpetuará.

 

No final do livro, há uma citação de Zélia Gattai, que diz que “Mar morto” foi seu abre-alas, pois logo que o terminou foi atrás dos outros livros do autor, o qual ainda nem conhecia pessoalmente. Façamos isso também. Agora que sua obra completa é republicada por uma nova editora, em edições renovadas e com preços acessíveis, podemos estimular principalmente aqueles que não estão acostumados às histórias do mar a colocar os preconceitos de lado e descobrir quem realmente foi Jorge Amado.


Um rápido pensamento sobre Cinema

14 Setembro, 2008

Não devemos nos preocupar em “fazer arte” ao realizar um filme. Devemos focalizar naquilo que considero ser o mais importante: contar uma história. Para contar a história que pretendemos, devemos utilizar todos os recursos disponíveis previstos em orçamento, desde atores até trucagens digitais. O cenário deve ser apropriado, o encadeamento da trama – em confluência com a performance dos atores – ser bem distribuído, o som contribuirá para as informações da cena, a fotografia deve estar a serviço da história e não o contrário. Se estes recursos, e muitos outros, forem utilizados apropriadamente, somados à sensibilidade do realizador e suas opções estéticas, torna-se possível que o resultado final seja chamado de “arte”.

 *****

 Alguém, provocador, poderia enfim dizer: “Tudo bem. Mas, na realidade, o que é arte?” E eu, fatigado, apenas suspiraria.


“Ensaio sobre a cegueira” enfim estréia nos cinemas

13 Setembro, 2008

“O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, deve haver ali um problema mecânico qualquer, o acelerador solto, a alavanca da caixa de velocidades que se encravou, ou uma avaria do sistema hidráulico, blocagem dos travões [...] o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego.”

 

Esta parte do início do “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, já dá o tom do que está por acontecer no livro. Estilo inconfundível, numa prosa poética incessante, com a pulsação tensa de um drama sem explicação. Propositadamente, claro.

 

O filme vai pela mesma toada, gradualmente espalhando a cegueira branca pela cidade. Junto a ela, a fotografia também é afetada, expondo imagens muito claras, brancas, em alguns trechos lembrando o “THX 1138”, de George Lucas (o espectador deve se perguntar por quê as legendas do filme são amarelas, e não brancas como costuma ser nos cinemas – a explicação está exatamente nesta condição da imagem do filme). Mas não se engane, pois nada de futurista há para ser vislumbrado. O que vemos é um retrato da própria condição do ser humano, um animal que quando perde o sentido de civilização é apenas outro animal.

 

Li muitas reportagens a respeito do filme antes de seu lançamento. E fiquei a aguardar uma obra extremamente pesada, dura e selvagem. O retrato feito pelo conteúdo realmente é cruel, porém não achei tão difícil como alguns pintaram. É um tema quase apocalíptico. Porém, suas características me fizeram lembrar um dos filmes mais intragáveis que vi em minha vida. Um filme de qualidade, porém tão cruel e soturno que nos faz passar mal. Nem sequer entrou em circuito comercial no Brasil. Apenas tivemos a oportunidade de assistir na Mostra Internacional de Cinema de 2004. O filme chama-se “Tempo de Lobos”, do diretor austríaco Michael Haneke, notabilizado por obras mais conhecidas como “Violência gratuita”, “Código desconhecido” e “A professora de piano”. Trata de uma sociedade que entrou em colapso, após água e comida ficarem escassos.

 

Fernando Meirelles é um diretor de qualidade e que ainda tem muito o que oferecer. Pensem que este é apenas o quinto longa-metragem de sua vida. Apesar da grande experiência como diretor publicitário, ainda é um novato na carreira cinematográfica. Teve muita coragem para realizar o “Ensaio” da forma como realizou. Optou em ser muito fiel à obra literária e tomar apenas algumas “liberdades poéticas”. Tem uma preocupação especial com o preparo dos atores, pois gosta de trabalhar improvisos durantes as filmagens, algo que apenas funciona quando o personagem já está “encravado na alma do ator”. Todo mundo fala do trabalho de atores amadores do “Cidade de Deus”, mas ainda acho que Fernando atinge o melhor grau de direção de atores em “O jardineiro fiel”. No “Ensaio”, realizou um trabalho titânico, com aquela quantidade de pessoas a interpretar recém-cegos, com um cuidado especial para não ficar estereotipado.

 

É um filme que sinto-me feliz em recomendar. Mas dois cuidados devem ser tomados. O primeiro é não ir esperando um blockbuster americano. É um filme denso, que deve ser contemplado como tal. O segundo cuidado é evitar agir que nem os chatos que estavam ao meu lado no cinema, que mais preocupavam-se em identificar as locações do filme (“Olha o viaduto do Chá”, “Olha o Minhocão” e etc) do que entender a trama.


Werner Herzog eats his shoe

5 Setembro, 2008

Algumas vezes, quando vou assistir a um filme, faço uma pequena pesquisa para saber mais a respeito do tema, do diretor e de circunstâncias da realização. Isso se intensifica quando o filme que será assistido está servindo como estudo para algo que vou fazer. Esse é o caso do documentário “Gates of Heaven”, dirigido por Errol Morris. Ao procurar a respeito dele, encontrei uma pérola que quero compartilhar.

Quando o documentarista americano planejava realizar este filme a respeito de um cemitério de animais e a família que administrava este negócio, o cineasta Werner Herzog achou que seria dificílimo emplacar a história e apostou que comeria os sapatos que calçava se este filme fosse concluído e exibido para o público nos cinemas.

Acontece que o filme foi terminado e, por sinal, iniciou a carreira daquele que é um dos maiores documentaristas americanos da atualidade, autor de um clássico como “A tênue linha da morte” e vencedor do Oscar há poucos anos por “Sob a névoa da guerra”.

Werner Herzog é um homem de palavra. Não é a primeira vez que tem que pagar uma aposta maluca como esta. Assim, foi registrado em um filme curta-metragem o cineasta alemão literalmente comendo seus sapatos. Lembrem que Herzog já era um cineasta consagrado, com títulos como “Aguirre, a cólera dos deuses”, “Nosferatu, o vampiro da noite” e o fabuloso “O enigma de Kaspar Hauser” em sua filmografia. Após nutrido pelo couro de seu sapato, realizou também ”Fitzcarraldo” e um documentário que deve ser assistido, chamado “Meu melhor inimigo”, a respeito da relação de fascínio e ódio entre ele e o ator Klaus Kinski.

Mas não se trata apenas de uma palhaçada ou o cumprimento de uma promessa. Em certo ponto, Herzog declara que aquele ato que realizava no palco da sala de exibição deveria servir também como um estímulo a todos os cineastas que queiram fazer um filme mas estejam com medo para iniciar devido às dificuldades que sabemos existir.

O filme dirigido por Les Blank em 1980 segue abaixo, para sua apreciação e degustação.


Filmografia de Os Trapalhões será lançada em DVD em setembro

1 Setembro, 2008

Para você que adora as trapalhadas de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, aí vai uma novidade: Europa Filmes irá começar lançar em setembro a filmografia completa de Os Trabalhões, grupo humorístico formado pelos quatro comediantes.

Serão 39 DVDs, incluindo os grandes longas do quarteto. Os sucessos vão desde Adorável Trapalhão (1967) e Simbad, o Marujo Trapalhão (1976) até os mais novos, como Simão, o Fantasma Trapalhão (1998).

Os filmes estarão disponíveis para venda a partir do dia 22 de setembro, por um preço sugerido de R$ 14,99. A Europa Filmes pretende lançar cinco títulos por mês. Em setembro, chegam às prateleiras O Cinderelo Trapalhão (1979), O Casamento Dos Trapalhões (1988), Os Trapalhões e a Árvore da Juventude (1991), O Mundo Mágico dos Trapalhões (1981) e A Princesa Xuxa e os Trapalhões (1989).

Fonte: Cineclick – http://www.cineclick.com.br