Carla Bruni é um exemplo da mulher “mais que bela”

19 Abril, 2008

A italiana Carla Bruni se tornou a Primeira-Dama da França há pouco tempo. Para muitos brasileiros, como eu, ela era uma mera desconhecida. Num primeiro momento, poderia parecer uma oportunista que conseguiu conquistar o coração do presidente francês bonitão. Para piorar, divulgaram na Internet uma foto dela nua, o que sempre piora a imagem da pessoa (bem, se não piora, pelo menos tenho a certeza de que não melhora). Até que novos fatos surgem…

Um amigo me enviou o vídeo de três músicas cantadas por ela. Sim! Além de linda e modelo, ela canta! E não pense que é no estilo Britney Spears ou Christina Aguilera, que tornam a música algo mais ligado à base atlética e ao erotismo do que à beleza em seu estado puro. Num dos vídeos que optei em inserir nesta postagem, vemos que há algo de sensual na performance da cantora, mas longe – muito longe – da vulgaridade das duas mencionadas acima. Enfim, nem deveria fazer estas comparações, pois elas são muito diferentes. Apenas queria sublinhar que nem sempre o fato da pessoa ser bela quer dizer que ela necessariamente viverá apenas disso, ou que terá isso como base de sua carreira.

Procurem no Youtube outras canções de Carla Bruni. As que estão abaixo são apenas um exemplo. Por sinal, a que falei que é bem sensual é assim por se tratar de um videoclipe. Mesmo assim, trata-se de uma sensualidade baseada em sua presença e voz, e não em erotismo. A outra é uma apresentação num show. Ela sentada num banquinho, com seu violão. Canta numa voz melodiosa e suave. Como reza o dito popular: “Não é apenas um rostinho bonito”. Isso me faz lembrar o conjunto “The Corrs”. Para quem conhece, sabe como são talentosas e lindas. O foco de suas carreiras é sua qualidade musical.

Vejo isso como uma luta contra um preconceito que possui dois lados. Num primeiro momento, as pessoas acham que alguém por ser bonita é incapaz de fazer algo construtivo. Era nesta raíz que estava fundada as primeiras impressões sobre a Carla Bruni. Por outro lado, há um preconceito (vou chamar assim, apesar de que poderíamos chamar de “comodismo”, ”limitação” ou qualquer outra coisa) de algumas “belas” que, assim como no caso de Britney e etcs., acham que serem bonitas lhes bastará.

Felizes são aqueles que aprendem que a mulher bonita é boa de olhar, mas logo passa. Serve para uma fotografia, para saciar o desejo dos olhos e da libido. Mas a mulher que interessa é aquela que em sua personalidade apresenta algo mais, e torna-se bela não apenas por sua imagem, mas por todo o subtrato que oferece para compartilhar. Que o diga Sarkozy.


A volta do espetáculo Kashmir Bouquet

13 Abril, 2008

No texto que escrevi no mês de novembro de 2007, reclamo que o espetáculo “Kashmir Bouquet”, coreografado por Ivaldo Bertazzo, só ficou em cartaz por duas semanas.

Agora, vocês têm nova oportunidade para assistir, numa temporada que durará cinco semanas, contado a partir do dia 10/04.

Quando escrevi o texto, muitas pessoas comentaram comigo que gostariam de assistir, mas não tiveram tempo, pois “avisei muito tarde”. Agora não tem mais desculpa! Não percam!

Releiam o texto, pois suas qualidades permanecem, mesmo boa parte da trupe tendo sido modificada. Continua uma ótima pedida e uma experiência fascinante. Segue o link abaixo: http://hugoharris.wordpress.com/2007/11/25/um-cidadao-dancante-que-e-todos-nos/

Serviço

Kashmir Bouquet

Teatro TUCA

Rua Monte Alegre, 1.024

Sexta e Sábado, às 21h

Domingo, às 19h30

 


Filme surpreendente de forma negativa

13 Abril, 2008

Não vou perder muito tempo com esta crítica, nem mesmo desperdiçar o seu.

Somente queria expressar meu espanto com o filme “Valente” (The Brave One), de Neil Jordan. O filme tem Jodie Foster e Terrence Howard no elenco. Eles são ótimos, porém é surpreendente terem aceitado participar. Mais surpreendente é ver Neil Jordan, diretor de filmes muito bons como “Traídos pelo desejo”, “Fim de caso” e, principalmente, “Nó na garganta”, se sujeitar. Talvez ele tenha sido obrigado a aceitar o projeto por questões contratuais (tipo: “faça essa ‘bomba’ que depois a gente financia algum projeto seu que preste”).

Mas, como eu disse, não vou perder tempo. Só imaginem Jodie Foster interpretando uma radialista que é espancada por delinqüentes. O noivo dela morre e, após acordar de um coma de três semanas, ela sai por Nova York fazendo justiça com as próprias mãos. Como um amigo me disse, é um novo “Charles Bronson”? Ela simplesmente mata os homenzinhos maus até conseguir, CLARO, chegar àqueles que a espancaram no início do filme. Se já não bastasse, Terrence Howard faz o policial que se torna seu amigo e que descobre as atividades extracurriculares da mocinha. Rola um clima entre os dois e, quando achamos que o policial certinho vai prendê-la, mantendo seus princípios, ele ajuda ela a matar os bandidos e ainda forja um tiroteio entre eles para protejê-la. Conto o final pois não é mesmo para vocês assistirem.

Ela vai embora e desaparece no fundo da imagem. E, agora, o pior de tudo: a narração e edição final dão a entender que abre-se a possibilidade de criarem uma série para a televisão desta Justiceira. Será?


A precipitação é meio caminho para a injustiça

7 Abril, 2008

Esse triste caso da menina Isabella e a comoção na sociedade me faz lembrar um famoso caso que muitos de nós estudamos na época da faculdade: o caso da Escola Base.

Somos tão dependentes da informação veiculada pela mídia, que lemos, vemos, escutamos e navegamos como se fosse o retrato da verdade. CUIDADO. Podem não ser. E as pessoas esquecem disso. Existem detalhes a respeito do assassinato que não foram divulgados pelas autoridades. As informações que temos levam a crer que o pai e a madrasta fizeram mal à menininha, mas nada foi PROVADO.

Para aqueles que não lembram, o caso da Escola Base foi de grande repercussão há aproximadamente 15 anos. Seis funcionários (incluindo diretores) foram acusados de abusar sexualmente dos alunos da escola. O primeiro a divulgar a notícia, baseado nas informações do delegado que recebeu a denúncia, foi o repórter da Rede Globo de Televisão, Valmir Salaro.

Foi por causa dele que lembrei. Ontem assisti um trecho do Fantástico em que ele aparecia discutindo o caso Isabella. Ele insistia que não devíamos tirar conclusões precipitadas a respeito do pai e da madrasta pois, antes que seja provado o contrário, são inocentes. Há indícios, mas não foram apresentadas provas. Ele insistia nisso, tenho certeza que devido à lição aprendida com as conseqüências de sua divulgação das denúncias da Escola Base em 1994.

A escola foi depredada, empastelada. Os donos foram perseguidos, acusados pela população. Tudo isso devido à cobertura da mídia. A escola fechou e os donos faliram. Nunca nada ficou provado contra eles. Já correram diversas ações indenizatórias contra empresas da mídia e outras ainda correm.

Assim, por mais “certeza” que as informações podem nos dar, lembrem que a mídia é uma mera divulgadora de notícias (exceto, obviamente, no caso do Jornalismo Investigativo). Eles apenas reproduzem declarações, escutam diversas pessoas, mas não possuem provas legais. Temos que aguardar a conclusão das investigações do Ministério Público, do Departamento de Homicídios e os laudos do Instituto Médico Legal.

A verdade a respeito do Caso Isabella pode estar longe de aparecer. Tenhamos paciência para não cometer injustiças. Não tenhamos pressa em culpar alguém para purgar nossa raiva, nossa estupefação. Se condenarmos previamente o casal, se fizermos algum mal a eles sem que nada esteja provado, seremos tão criminosos quanto o covarde que arrancou a vida daquela menininha.