Sim, fiquei acordado até as duas horas da manhã. Sim, eu ia acordar às quatro para ir trabalhar. Sim, eu fiquei o dia inteiro trombando nas paredes e jogando água na cara. Quem mandou não gostar de café… Mantenho a tradição de assistir ao Oscar. Por mais chatinha que seja a festa, tenho muita curiosidade quanto aos premiados. Já teve época em que eu gravava e assistia várias vezes. Mas este tempo passou. Agora já basta uma única vez.
Digo que não gostei muito da premiação. Principalmente no quesito “Melhor Filme”. Eu, realmente, não gostei do filme vencedor: “Onde os fracos não têm vez”. Se eu fosse pegar os cinco indicados e colocasse em ordem de preferência, seria a seguinte: 5° Desejo e Reparação; 4° Onde os fracos não têm vez; 3° Conduta de risco; 2° Juno; 1° Sangue negro. Ou seja, para mim, o vencedor deveria ser “Sangue Negro”. Mas este é um filme que através dos anos ficará cada vez melhor e melhor. E “Onde os fracos…” não ficará. Prefiro mais os outros filmes dos Irmãos Coen, principalmente “Barton Fink”, “Na roda da fortuna” e “O homem que não estava lá”.
Achei merecidíssimas as premiações dos atores e atrizes, com a exceção daquele que era o mais incontestável: Javier Bardem. Não achei tão especial o personagem dele em “Onde os fracos…”, sendo que gostei muito mais de Tom Wilkinson em “Conduta de risco”.
Para mim, há três filmes que foram injustiçados. O primeiro foi “Sweeney Todd”, que merecia muitas outras indicações, assim como o excelente “Senhores do Crime”, de Cronenberg (quem um dia ainda ganhará o seu premiozinho). O terceiro é “Na natureza selvagem”, que tem uma excelente direção, numa adaptação ótima do livro de Kracauer, montagem e fotografia muito boas. Porém, o maior destaque deste filme são as canções de Eddie Vedder, que deveriam ter sido indicadas ao invés das três insossas do filme “Encantada” (Alan Menken, quem te viu, quem te vê). Além destes três filmes, suspeito que o filme “Redacted”, de Brian De Palma, também merecesse espaço. Mas no futuro falarei dele, após ver o filme.
Fiquei surpreso ao ver que “Transformers” perdeu todos os prêmios. Para mim era certeza que abocanhava dois deles, de mixagem de som e efeitos visuais. Errei.
Adorei o prêmio de roteiro original, para “Juno”. Apesar de que gostei muito do roteiro de “Conduta de risco”. Já o de roteiro adaptado, vencido por “Onde os fracos não têm vez”, minha preferência era para “Sangue Negro” ou “O escafandro e a borboleta” – este último, por sinal, não entendi por quê não foi indicado para melhor filme estrangeiro.
É um fato interessante ver que os vencedores dos últimos anos ganharam poucos prêmios. “Crash” ganhou três. “Os infiltrados” e “Onde os fracos…” ganharam cada um quatro. Isso mostra maior equilíbrio, sem aqueles filmes sem-graça que abocanhavam 11 Oscars, ou 9, 8, que seja… Gosto mais quando é melhor dividido. Este ano tivemos “Onde os fracos…” com quatro, “O ultimato Bourne” com três, “Piaf” e “Sangue Negro” com dois.
Enfim, prêmios sempre são contestáveis. Qualquer um. Um prêmio não torna um filme melhor ou pior.
Ah, acho que é isso… Não tenho mais o que falar… Isso é o que penso e o que me fez pensar…
Escrito por Hugo Harris 







Escrito por Hugo Harris
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